Amar por dois é cansativo

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Hoje de manhã, depois do café, sentei na varanda e comecei a pensar na gente. Na turbulência que está o nosso relacionamento. Na bagunça que estamos nos tornando. E, a cada suspiro de insatisfação que eu soltava, me questionava: meu Deus, como é que chegamos a esse ponto? O que está acontecendo com ele? Com nós?



Não sei. Mas gostaria muito de entender por que você deixou de se empenhar pela gente, com o passar do tempo. Por que deixou de lado aquele seu jeito carinhoso e preocupado, que fazia eu me sentir tão segura e protegida. E por que caiu nesse poço de mesmice que só nos prejudica e não tem vontade nenhuma de sair. Entre nós anda tudo tão diferente, que eu quase não consigo recordar os motivos bonitos que provocaram a nossa união. Eles não se encaixam nessa nossa realidade. Soa meio incoerente. E isso é triste.

Te confesso que desde que passei a te amar, tenho sido para você a melhor versão de mim. Ou pelo menos, a melhor que eu tenho conseguido ser. Às vezes, até fico surpresa com a minha capacidade de suportar certas coisas. Tenho feito sacrifícios e me superado a cada dia, pelo bem do nosso amor. Amor que tem se esfriado, aos poucos, contra a minha vontade. Amor que eu nem sei se ainda é tão amor assim; mas que, eu amo amar.

Sinto falta de como éramos. Tinha tantos sorrisos, que até doía a bochecha. Tinha tanta reciprocidade, que eu chegava a duvidar se aquilo era de fato, possível. Tinha tanto tudo, que sobrava. A paixão, o cuidado e o desejo eram tão grande, que corriam pelas nossas veias e os nossos corpos estavam sempre a um passo (ou um beijo), de entrar em erupção. E eu amava quando você me mandava uma mensagem bonitinha no meio do dia, ou da noite, só para informar que estava pensado em mim. Minha maior alegria era quando o celular vibrava, e era você. Ah, eu sorria tanto… Suas ligações nunca terminavam com nós dois discutindo. Nossas saídas eram felizes. E entre nós, só havia cumplicidade e uma imensa vontade de ser cada vez mais, um para o outro.


Mas de algum jeito, por algum motivo que eu desconheço a origem, isso foi se perdendo. E hoje, não existe mais quase nada do que há um tempo, teve em abundância. Até o nosso sexo, não tem mais o mesmo gosto. E eu preciso te confessar que, de vez em quando, eu choro. De saudade. De desespero. Por não saber o que fazer. Nem como lidar. Por não querer que seja assim. E, principalmente, por temer um fim que eu jamais imaginei que haveria possibilidade de acontecer. Mas você parece não se importar, e isso é o pior de tudo. Porque eu quero tanto ficar aqui e continuar te amando… Mas para isso, é preciso que você volte. Porque o cara por quem eu me apaixonei, ainda deve estar aí dentro. Então me ajuda a resgata-lo. Por favor!

Eu juro que não sei onde foi que tropeçamos e deixamos cair a estrutura que nos mantinha equilibrados. Mas eu estou disposta a recuar e tentar recuperar o esteio e a força do nosso amor. É só você segurar na minha mão, com força, como antes, e me dizer que também quer. Porque por mais que eu te ame muito, não dá para eu fazer o meu papel e o seu. É que amar por dois é cansativo e dói muito.

Portanto, se você quiser, recomeçamos juntos, do zero. Caso contrário, com dor no coração, porei um fim na gente. E então, começarei do zero, sozinha, por aí, de algum jeito. Mas de um jeito menos pior. Porque não há sofrimento maior do que viver um amor que se alimenta da sombra do que já foi um dia.


 

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Publicado Originalmente em Isabela Freitas

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