As dores do amor

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Não que eu esteja pregando o ceticismo romântico, mas é preciso concordar: Amar às vezes machuca. Amar às vezes nos marca de uma forma indelével , de uma forma incisiva e sem reparos. Quando se ama se espera muito, se espera tudo. É inevitável ! Expectativa desfeita é bicho danado, é dor que começa sorrateira e depois toma conta de tudo.



Dessa forma, por mais que saibamos que essas dores passam, sabemos também que, enquanto duram, são perversas e tiranas, dominam ditatorialmente corpo e mente. Os sentidos não pertencem mais ao louco que resolveu amar sozinho, e sim às lembranças e memórias.

São dias que custam a passar, é a voz que embarga quando precisamos disfarçar e dizer que tudo foi terminado “numa boa”, são horas perdidas pensando em como esquecer a tal pessoa, é um vazio irracional, ferida aberta, barril de pólvora que explode em lágrimas.
No fim, todos querem um amor desses açucarados , irresistíveis , que tiram o ar . Quando se ama não se pensa no fim, não se pensa na dor. Cansei de conhecer gente que se lança em chamas por um grande caso de amor- que nunca existiu- , e enquanto as labaredas são altas e fortes tudo parece bem, mas depois de algum tempo só sobram as cinzas e as escaras de uma paixão não pensada.

Cazuza dizia que prender o choro é aguar o bom do amor , concordo, nada na vida é fácil. Nada que vem sem sacrifícios vale a pena – aprendemos isso desde pequenos, não é segredo- mas será que as dificuldades , estas que fortalecem o convívio e fazem solidificar o sentimento, não estão sendo confundidas com a dor do abandono, da traição, da mentira?


É certo que o amor não gosta de acomodação, a vida quer de nós é coragem! Precisamos escrever nossa própria história e isso implica em se arriscar, em viver intensamente, em demonstrar interesse, porém nunca confunda isso com implorar paixão, afeto , carinho ou atenção, estes sentimentos não devem ser mendigados, mas sim doados livremente, se não for assim não vale a pena.Quando se ama alguém precisa amar por completo. Do contrário, não é amor.

“Amor é um fogo que arde sem se ver,

É ferida que dói, e não se sente;


É um contentamento descontente,

É dor que desatina sem doer.”

A dor desse amor que Camões falava realmente não se sente, pois é vivida junta, pois o outro está ali esperando a tua cura – a cura de ambos, a cura da relação. Quando o fim se resume à amigas te consolando, à você e a um quarto vazio, acredite, não era amor. Nunca foi.

Apesar disso tudo, um dia você irá acordar e perceberá que aquilo que latejava antes, hoje é uma cicatriz fechada que já faz parte daquilo que você é. Além disso, saberá que apesar dos tombos só um louco desistiria do amor e que tudo que você sofreu serviu de aprendizado. Tenha certeza, um dia você encontrará a tal “pessoa certa” e entenderá o porquê de nenhum caso ter dado certo até aquele momento.

 

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Escrito por Débora Marx – Via Obvious

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