O dedo podre para os relacionamentos

7min. de leitura

“Perdi o sono, novamente”. Mais uma noite em claro.



E o pior, só agora me dei conta de que não comi nada o dia todo.
Nem café da manhã, nem almoço, nem jantar, nem lanche, nada…..
O lado bom disto é que aproveitei para passar minha vida a limpo.

Cresci em uma família pobre e com poucos recursos, onde meu pai – operário e minha mãe – doméstica se esforçavam muito para manter as panelas cheias e educar 05 filhos (03 meninas e 02 meninos, sendo eu a mais velha).

Percebi, desde cedo, que somente o estudo e o trabalho poderiam mudar minha vida e fazer com que eu me destaque-se dos outros.


Estudei muito, era sempre a aluna número 01. As melhores notas. O destaque da turma. A mais inteligente e mais boa praça entre os colegas de classe.

Para conseguir concluir a faculdade, comecei a trabalhar cedo e ser responsável por meus gastos. Além, claro de sempre ajudar com as despesas de casa. O que me causava muito orgulho.

A faculdade de engenharia ajudou muito meu crescimento pessoal e profissional. A convivência com pessoas tão diferentes, só acrescentou valor ás minhas experiências de vida.


O casamento também veio cedo, com 18 anos. No mesmo ano que debutei na faculdade, debutei no matrimônio. Primeiro namorado, primeiro homem e primeira decepção.
Após três anos juntos, a traição seguida de um filho fora do casamento destruiu meus sonhos e me fez pensar, sinceramente, qual seria o verdadeiro sentido da palavra amor?

Pensei que estava ligada a honestidade, cumplicidade, companheirismo, verdades e, o principal ingrediente, o respeito.

Enganei-me. Sofri e chorei como criança que descobre que o seu castelo de areia não era tão resistente ás ondas do mar.

A separação foi imediata e, em menos de um ano já estava em um novo relacionamento.
Apostei todas as fichas e iniciei um processo de dedicação voluntária e neurótica, por medo da perda e por medo de sofrer tudo novamente.
Tornei-me a mãe de um homem muito mais velho. Dei um tiro em meu próprio pé, pois criei um monstro. Dependente, carente e, extremamente, ciumento e possessivo.

Agressões verbais, desconfiança e muita confusão, marcaram este momento de minha vida.
Basta. Precisei dar um basta e desvencilhar-me daquele pesadelo.
Um pesadelo que só foi bom, porque dele nasceu uma filha linda. Minha eterna companheira.

Mais um rompimento conjugal.

Fui criar minha filha e neste tempo conheci outra pessoa.

Vamos lá. Não desisto. Quero ser feliz.

Pensei: Desta vez tem que dar certo. Não posso mais errar.

Mas, não tem jeito… Meu dedinho podre atacou novamente.

Pelo menos, como tudo no início é um mar de rosas, neste caso não foi diferente.
Os primeiros anos foram mágicos e, experimentei a felicidade em momentos únicos.

Podem acreditar… Outra traição e outros filhos fora do casamento.

O mundo tornou-se cinzento.

Passei a experimentar uma sensação de tristeza total. Acreditar no ser humano deixou de fazer parte de minha vida.

E me dei conta de que, eu estava vivendo um ciclo vicioso.
Buscando relacionamentos pautados em traição e mentiras o tempo todo. Mas qual a explicação para estar sempre vivenciando repetições? ” Autora Anônima.

Este relato foi feito para ilustrar como, muitas vezes, nossas escolhas amorosas são insensatas, pois elas não são regidas pelo bom senso e independem do quociente intelectual da pessoa.

Homens e mulheres são propensos a escolhas erradas.

Usei a palavra escolha, mas poderíamos até dizer que, mais do que escolher essas pessoas parecem ser escolhidas pelos relacionamentos difíceis e complicados.

Parece haver uma grande atração, como um imã, onde os indivíduos são “induzidos” por uma força enigmática e misteriosa a escolherem os parceiros “errados”.

É, na verdade, o que chamamos de mecanismo psíquico. Ele opera de acordo com a compulsão instintiva que parece visar à autopunição e a auto-sabotagem. Não estamos falando aqui, do “princípio do prazer”.

De forma superficial e passageira, podemos até identificar uma compensação imediata, que a Psicanálise denomina “ganho secundário”.

E não se iluda, este tipo de relacionamento está marcado para naufragar. É tomado por angústia, insegurança, frustração, causados pela falta de perspectivas.
O mais importante, é estarmos atentos e alerta para conseguir perceber e mapear a história primitiva dos “relacionamentos amorosos” da pessoa envolvida.

Em muitos casos, vamos nos deparar com situações de experiências emocionais aversivas sofridas na infância e que geraram traumas profundos.
Trata-se de situações que, muitas vezes, os próprios pais viveram “sem perceber”, de forma inconsciente e que, por um processo de troca intersubjetiva, foram “percebidas” inconscientemente pela criança.

Como nossa mente faz a leitura de tudo isto? Uma situação “inesperada” que gera angústia tende a se tornar enigmática. O enigma é carregado de uma enorme força de atração psíquica que age sobre o nosso mundo interno instintivo. Ele gera uma força compulsiva que nos atrai e nos leva a “voltar” para situações afetivas parecidas que “recriem” a cena inicial, que disparou a angústia primitiva.

Se as relações iniciais foram “percebidas” pelo inconsciente como sendo insatisfatórias, ele procurará revivê-las através de relações que também são insatisfatórias.
A força da compulsão instintiva é muito angustiante para quem sofre desse problema.

Ao mesmo tempo a necessidade de voltar a viver sempre a mesma situação cega e impede a pessoa de poder “pensar” a situação de forma diferente, lógica e consequente.

O mais importante é estar consciente de sua participação neste processo de repetição e procurar identificar, sem culpa, medo ou pré-julgamentos, o motivo de sua auto-sabotagem. Além do mais, relacionamentos perfeitos são possíveis sim, mas a realidade também mostra que, o relacionamento pessoal é muito mais complexo e requer sabedoria e paciência e, muitos outros ingredientes, para que o conto de fadas seja genuíno.

Por Andrea Antonia

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.





Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.