Deus é amor…

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Um padre de oitenta e seis anos é degolado por jovens na Normandia e o estado islâmico assume a autoria do assassinato.



Tristeza, desesperança e descrença nos rumos da espécie humana tomaram conta de mim quando li a notícia que, infelizmente, tem se tornado comum. A minha paixão por história me fez sonhar me tornar arqueóloga quando eu ainda tinha quatorze anos e desde então, o meu entendimento sobre a humanidade foi sempre permeado não só pela psicologia, mas também pela história, pela antropologia e pela teologia.

Não há como entender o homem sem olhar para as manifestações religiosas que contribuíram muito para a história e também para a arte. A cultura é toda esculpida sobre o culto ao sagrado. Eu não me considero uma pessoa religiosa, nem tampouco considero sagrado livro algum, apenas para que conheçam um pouco mais sobre mim, eu não sou ateia, acredito em Deus e estudo a obra de Allan Kardek há dez anos e encontro em grande parte de seus livros respostas para perguntas que fiz a mim mesma desde criança. Isso me basta. O Cristo para mim é o maior dos mestres porque a única coisa que ensinou foi a amar.

Nunca li o alcorão, nem o torá e li a bíblia apenas porque que me foi apresentada. Eu estudei muitos anos em um colégio católico e frequentei a missa com meus pais quando criança porque minha família é culturalmente católica. Tenho ressalvas aos três livros que citei acima em decorrência de traduções diversas e interesses políticos que influenciaram a organização dos livros.


Assim como todos vocês eu não consigo tolerar a atitude daqueles jovens ao assassinar o padre ancião, mas talvez, diferentemente da maioria de vocês eu também não tolero a pedofilia na igreja católica, o estupro comum e aceito no islamismo e no cristianismo, a inversão de valores que inocenta um estuprador e culpa a mulher que aborta o fruto indesejado daquela violência, a gritaria catártica e muitas vezes violenta das igrejas pentecostais e o materialismo que, praticamente obriga os indivíduos a darem parte de seus bens à igreja. Não entendo o machismo presente nas religiões nem a submissão imposta às mulheres.

DEUS

Não consigo tolerar quem usa os chamados livros sagrados para perseguir e matar como se fez na época das cruzadas. Muito sangue foi derramado em perseguições religiosas intolerantes ao longo dos séculos. Os homens já chegaram ao cúmulo de se divertirem vendo seu semelhante ser devorado por um leão faminto e até hoje comemoram nas redes sociais os massacres como o de Paris no ano passado.


Não entendo o que levou aqueles jovens a degolar um senhor de oitenta e seis anos que rezava a missa, assim como não entendo como, em nome de Deus, possa-se julgar e condenar seu semelhante por sua escolha afetiva, por sua raça, por sua cor. Como podem apedrejar ou arrancar as mãos de alguém a sangue frio? Como podem se achar no direito de invadir um templo e assassinar um homem que nada lhes fez?

Como pode um indivíduo, em nome de Deus, não se compadecer da dor de seu semelhante e munir-se de um livro ou outro para condenar-lhe, cometendo assim um erro igual o talvez ainda maior?

Lembrei-me agora de uma irreverente entrevista de um colega de profissão que, ao ser questionado pelo entrevistador sobre quais seriam as atitudes de Cristo em relação aos  homossexuais e/ou às mulheres chamadas “as mães de quem se xinga”; respondeu de forma perspicaz que talvez as atitudes do mestre seriam simplesmente nenhuma. Assim como ele explicou, eu lhes conto que talvez não estivesse mesmo na pauta de Jesus nada que não fosse ensinar-nos a amar e a respeitar a liberdade e os direitos dos outros; para que cada um escolha o seu caminho, viva de acordo com ele e plante as sementes que quiser em seu quintal, ou em seu vaso – colhendo-as depois, porque esta é a natureza e esta é a lei da vida.

Tenho um desejo enorme de que, de alguma forma, alguém consiga conter ou até mesmo estacionar o movimento do estado islâmico, entretanto penso que isso deverá necessariamente passar por todo este movimento fundamentalista que reside bem mais perto de nós do que pensamos. Penso que a responsabilidade por nossos atos devem ser assumidas por nós mesmos e não atribuídas ao capeta ou qualquer ser semelhante. O mal que existe habita dentro de nós e não fora.

È fácil culpar ao demônio pelos nossos tropeços. Parece cômodo, porém, parece também ilusório. Não são necessárias religiões que imponham ao homem uma conduta X ou Y sob a ameaça de que este mesmo indivíduo será punido. E se não houver punição alguma, qual seria a sua conduta?

heart-in-hand

O amor não é “condição”. “Eu te amo desde que….” não existe. O nome disso não é amor – é chantagem. Deus há de amar a todos nós de forma incondicional e há de aceitar que cada um caminhe sobre a lei do livre arbítrio e que responsabilize-se por cada consequência de seus atos. Não lhes escrevo isso sobre a ótica espiritualista, mas sobre a lei da física que lhe devolve o boomerang exatamente com a mesma força com a qual você o atira.

O único Deus que existe chama-se Amor.

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* Matéria atualizada em 30/07/2016 às 17:30






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