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Estado de amor: como despertá-lo?

Passei dezenas de anos sem saber o que é o verdadeiro amor. Certo dia, durante um retiro de três anos com um mestre do Tibet, perguntei a um deles: “O que é amor?” Ele me respondeu: “Amar consiste em querer a felicidade de todos os seres”. Fiquei surpreso e deslumbrado com esta resposta.



Muitas pessoas tem momentos privilegiados em que se sentem invadidos por uma felicidade tal, que transborde os seus limites pessoais, e faz com que desejam que esta felicidade seja de todo mundo. Isto acontece nos primórdios de um namoro por exemplo, em que estamos como transportados pela felicidade e comunicamos isto para os outros, os amigos, os conhecidos. Neste período, podemos dizer que estamos em estado de amor.

Este, desperta quando jogamos pontes sobre as fronteiras e os limites ilusórios do nosso próprio ego, e passamos a “querer bem” ao outro. Isto pode começar com o namorado e se estender a todos seres vivos.

A questão é que este deslumbramento desaparece depois de um certo tempo criando saudades “daquele tempo” e ressentimentos pelo fato que não se consegue fazê-lo voltar. Como despertar e cultivar este estado de amor de modo permanente?

Se olharmos mais de perto o que acontece durante os primórdios de namoro vamos verificar a presença de três aspectos diferentes mas que se mantém inseparáveis quando harmoniosamente equilibrados. São eles:


O despertar da forma sexual da energia no ser humano, como impulso irresistível.

O despertar de sentimentos puros, românticos, de afeição, de ternura, de doação. Este impulso é também muito forte e irresistível como o sexo. Começa a descoberta da alma do outro e da sua própria. É uma verdadeira revelação. É o impulso de eros.


Despertar do amor verdadeiro como descoberta da verdadeira natureza do espírito e como vivência permanente dos valores ligados a ele, tais como a beleza, a verdade, o sagrado, o caráter maravilhoso e divino da existência, o eterno da vida.

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Encontramos esta distinção bastante esclarecedora no livro de Eva Pierrakos. Consideramos esta obra como uma das maiores sínteses jamais escrita sobre o assunto do amor. Ela nos mostra como Eros constitui o elo entre o sexo e o amor. A força erótica precisa ser mantida pois é ela que leva ao verdadeiro amor. Excesso de atividade sexual arrisca matar Eros. “Você deve utilizar essa força de Eros como um impulso inicial, e através dela encontrar o estímulo de prosseguir por seu próprio alento. Então, disse ela, você terá atraído Eros para o verdadeiro amor”.

Freud já dizia que o casal que quer manter a ternura precisa limitar a frequência das suas relações sexuais. O que Eva Pierrakos está a nos mostrar é que é importante dissolver a separatividade entre sexo, Eros e amor. Sem amor a força de Eros desaparece. “É este, sem dúvida, o problema com o casamento. A maioria das pessoas não tem condições de chegar ao casamento ideal porque é incapaz de oferecer amor puro”.

Para manter um estado de amor, é preciso cultivar a força erótica uma vez instalada através da descoberta da alma de cada um. Estas almas tem qualidades infinitas, pois o espírito que as anima é eterno. A eternidade do espírito é a eternidade do amor divino.

A força criadora do sexo, se entregando a Eros, se transformará em estado permanente de amor, constantemente renovado, em força espiritual verdadeira. É uma vivência maravilhosa, ao alcance de todos os que chegaram a um certo grau de desenvolvimento espiritual.

Pierre Weil

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Texto escrito com exclusividade para o site O Amor. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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