Eu nunca me acostumei com a sua falta…

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Dizem que quando a gente deseja muito alguma coisa, ela simplesmente acontece…Só eu sei o quanto desejei que você voltasse pra mim, tanto que acabei me perdendo de quem eu era antes de te conhecer.  Sabe, por muito tempo eu desejei tanto ser como você e poder simplesmente virar as costas e desaparecer.



Apagar todo o passado, tudo o que sentiram por mim e tudo o que eu senti, simplesmente esquecer…deletar você, mas os detalhes estranhamente insistiam em lembrar aquele pouco de amor que eu ingenuamente acreditei existir.  Só Deus sabe o quanto eu tentei te apagar da minha memória enquanto o coração insistia em reviver cada passo da nossa história, acelerando toda vez que tocava aquela música… O mesmo acontecia sempre que eu ouvia o seu nome ou que os olhos se enganavam quando imaginavam ter visto alguém que se parecia contigo nas esquinas da vida.

No começo eu te enxergava nas cores vibrantes dos outdoors pelas ruas, te ouvia em cada conversa de desconhecidos no metrô, te sentia em cada perfume e no fim, a dor só aumentava e latejava em cada tropeço do meu caminho, como quando batemos o dedinho na quina de algum móvel.

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Foi assim por um bom tempo, até começarem a me dizer que eu precisava te esquecer porque o seu fantasma estava tomando o meu lugar e acabando comigo devagarzinho.

Por quê será que aquele que diz “Eu te amo” primeiro é sempre o último a parar de chorar? E como eu chorei, tanto que eu pensava que as lágrimas nunca iriam cessar. Hoje chorei de novo. Chorei por saber que provavelmente nesse momento você está dizendo essa mesma frase pra outra pessoa e provavelmente com muito mais verdade do que quando dizia pra mim.

Provavelmente para alguém de muita sorte já que te faz muito mais feliz do que um dia eu tive a chance de tentar já que você nunca deixou tentar te mostrar o tamanho do meu amor, sempre tão descrente que só sabia menosprezar o que eu sentia. Eu percebi que na verdade você nunca me amou de verdade. Como eu digo isso com tanta certeza? Porque amor que existiu de verdade  não acaba, não acabou pra mim. Sentimento não vai embora assim da noite pro dia e se foi é porque na realidade ele nunca existiu.


A verdade é que eu nunca existi em você, afinal amor a gente não esquece. Eu não esqueci. Todos me diziam que esquecer é o primeiro passo pra começar a viver e que isso é muito fácil, bastava querer. Ah, se esquecer fosse tão fácil! Não existiriam tantos psicólogos, terapeutas e ainda assim pessoas se afogando em mágoas. A verdade é que eu não queria esquecer você, nunca quis e aquela dor a qual eu me agarrava com todas as forças era a única coisa que ainda me ligava a você e consequentemente a única maneira de te manter ainda comigo. Eu não queria me desfazer do que restou de você, do que restou de nós…a verdade é que eu queria te guardar em um potinho e te deixar ir embora aos pouquinhos que era pra poder me acostumar com a sua ausência.

Quando percebi, estava me livrando de mim que era pra ter espaço pra caber um pouco mais de você. Todos me diziam que eu precisava deixar você ir e  só Deus sabe o quanto eu tentei preencher o vazio que você deixou…

De chocolate ao álcool, de florais a maconha e meditação, de cadastro no Tinder a oração. Até psicólogo e faxina no coração, com água e sabão…nada teve solução! Eu nunca me acostumei com a sua falta.

Talvez agora você saiba como é amar alguém de verdade com toda a sua alma e sinta uma vontade enorme de gritar esse amor aos quatro ventos, como eu sentia quanto estava com você.

O amor é uma droga lícita, que te causa os mesmos efeitos e dores, até piores do que os efeitos de todas as outras. De todas as drogas lícitas e ilícitas, você foi a única que conseguiu me manter no vício, sofrendo de abstinência todos os dias sem a menor chance de reabilitação.

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Tento ficar feliz por você, mas não consigo deixar de ficar triste por mim, que consigo ouvir daqui e que ainda não consegui juntar todos os cacos que você deixou pra trás. Volta e meia quando ando distraída piso descalça sobre eles, revivendo todo o sofrimento que você me causou. Talvez você tenha tido mais sorte e essa pessoa sinta o mesmo por você, talvez você sinta aquela mesma sensação que eu sentia quando segurava a sua mão.

Se você sentiu algo parecido, espero que nunca precise soltar a mão dela e sofrer nem um terço dessa dor, pois se amar e ser correspondido é a melhor sensação do mundo, amar e ser abandonado à própria sorte como um cão de rua, é a pior.

Por quê será que aquele que diz “Eu te amo” primeiro é sempre o último a parar de chorar? Eu nunca me acostumei com a sua falta, mas me acostumei com a solidão.

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