Mal sabe você que um amor como o nosso não dá para esquecer



Mal sabe você que um amor como o nosso não se supera, pelo “simples” fato de que não se vive isso uma segunda vez.

Você está esperando o dia em que terá superado a nossa história por completo, o bendito dia em que as lembranças de nós dois terão se dissipado, que eu serei um borrão apagado num passado distante.

Bobinho! Mal sabe você que um amor como o nosso não se supera, pelo “simples” fato de que não se vive isso uma segunda vez.

É o tipo de paixão que as pessoas rezam para encontrar e morrem de medo quando encontram.

É um sentimento muito grande, onde uma vida só é pouca para viver.

É coisa que não acaba; no máximo, adormece. Eu já vi gente sã enlouquecer.

É saudade que não apazigua; é beijo que não se acha igual e pele que nunca mais se completa.

Porque outros corpos você vai achar, mas outro ser para trocar as almas, eu duvido muito.

Beijos mil… mas somente da boca para fora; nunca mais, alma adentro.

Muito amor por fazer, mas amor, não se faz com qualquer um.

Muita gente linda por encontrar, é verdade. Mas muitos olhares sem nada a dizer.

Mal sabe você quantas noites de desespero ainda vai passar, quando se der conta e olhar para a frente e sentir que todo o resto da vida perdeu a graça, que tudo pelo qual você tanto luta perdeu o sentido de ser, quando você perdeu por quem valia lutar.

Ah, mal sabe você, que o que sentimos um pelo outro nada tem a ver com o tempo. Porque tem coisas que o tempo leva embora, mas algumas outras raras o tempo só faz crescer e perpetuar dentro de nós.

Assim nós seremos. Morada fixa um no coração do outro, mas corpos longes em distância física, compadecendo-se em silêncio, quase com uma necessidade fisiológica de tocar o outro, tanto quanto respirar ou comer, ansiando por qualquer coisa que nos alivie a dor.

Ah, amor… por que escolheu o caminho mais doloroso, condenando-nos à solidão. Aquele tipo de solidão que não tem a ver com estar só. Refiro-me ao pior tipo de solidão que um ser humano pode experimentar, aquela que não se preenche nem com mil companhias. Aquela solidão que vem nos consolar no meio da noite, quando mais uma vez acordamos no susto, com o coração a um milhão por segundo, depois de sonhar com o ser amado, aquela solidão que até enxuga nosso pranto, enquanto fazemos uma força enorme para chorarmos calados.



Mal sabe você, que é a pior luta que se trava na vida; razão mandando esquecer, emoção implorando para voltar. Tanto amor por fazer, tanta história para ser vivida. Suplicam-se aos céus e a todos os santos, pelo amor de DEUS, não é possível, nada conseguirá fechar essa ferida?

Não quero desanimar você, mas é o tipo de coisa que não dá para esquecer, no máximo, camuflar.

Camuflamos entre sorrisos sem vontade e baladas sem graça. Entre interesses momentâneos e aquela vontade enorme de voltar correndo para casa. Mas que casa? Casa é onde o amor está. Melhor então ficar… ficar pela rua, até amanhecer. Beber mais um pouco e tentar se convencer de que tudo em breve passará.

Mas não passa. A única coisa que passou, em todo esse tempo, foi a certeza de que a melhor opção era o afastamento. A saudade não passa. A vontade muito menos. O desejo, quanto mais tentamos matar, mais aumenta. A raiva de nós mesmos por sentimos o que já deveríamos ter esquecido, também não passa.

As lembranças, continuam vivas e coloridas. Alguma coisa ainda pulsa insistentemente no coração. Será maldição? Uma privação súbita da sensatez? Doença? Chame como preferir… o nome disso é um só: o grande amor da sua vida.

Você terá outros amores, não se preocupe. Assim como você teve outros antes de nós. Acostume-se, conforme-se com ondas mais brandas. Com faíscas sem labaredas. Com olhos sem e beijos que não acendem.

Conforme-se com intimidade sem encaixe, com cubas libres cheias de gelo e saudade, com Nando Reis tocando sem reciprocidade. E por favor, contenha as lágrimas na frente da sua moça bonita, quando tocar a nossa música: “Estranho seria se eu não me apaixonasse por você…” … e se eu conseguisse esquecer tudo isso tão fácil. Estranho seria se não fizéssemos a menor falta e se a vida tivesse se tornado melhor. Ah, amor… se acostume a ser chamado de amor sem sotaque! A olhar a lua cheia sem se lembrar de mim. A ter outra pessoa no teu banco do carona, a dirigir sem carinho na nuca.

Acostume-se a levar outras pessoas embora da festa e a querer sumir de si mesmo, quando a noite acabar. Conforme-se em começar uma nova história, sem querer procurar similar, nem reproduzir o que vivemos.

Nunca mais seremos, preste atenção, nunca mais seremos para outras pessoas, quem fomos para nós dois. Acostume-se a ser novamente singular.

Mal sabe você… que daqui há 20 anos, ainda existirá em nós, resquícios da nossa história e que então teremos que fazer muita força para puxar na memória o rosto do outro. Mas, mesmo com a memória visual já falha, um coração tatuado por um amor tão imenso, ainda baterá diferente ao ouvir meu nome. Nesse dia, talvez eu seja um arrependimento ou, quem sabe, uma história bonita que você contará aos seus netos. Os mesmos netos que sonhamos, enquanto nós escolhíamos o nome do filho que nunca tivemos.

Conte com carinho, sem se lembrar das discussões bobas e do quão infantis fomos. Diga que você foi a inspiração de muitos dos meus textos e que eu poderia escrever um livro sobre nós, mas jamais faria isso.

Você, é uma daquelas dores que guardamos bem trancadas no baú da alma, porque não queremos que ninguém saiba. Tentando esconder, e negar veementemente, de nós mesmos. Jogamos o baú no abissal do âmago, rezando para nunca mais emergir.

Mal sabe você que o amor é a maior dádiva desta vida e que um amor de verdade é insubstituível… mas você agora tem a vida toda para descobrir.

Espero que tenha encontrado o pote de ouro e paz que você não tinha ao meu lado. Ah… mal sabe você…


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Amor: 123RF Imagens/yeko.






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