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Oficial é demitido por se recusar a chamar colega negra de “doutora” em uma reunião

O conselho municipal da Carolina do Norte optou por demitir o conselheiro Tony Collins, um homem branco que se recusou a chamar a especialista em saúde pública pelo seu título acadêmico.



A doutora em Saúde Pública Carrie Rosario, da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, passou por uma situação constrangedora recentemente. Numa reunião de zoneamento municipal, por meio da plataforma Zoom, um dos oficiais se recusou deliberadamente a chamá-la pelo seu título acadêmico, insistindo em reduzir a profissional a “senhora”, mesmo sendo corrigido diversas vezes.

Por cerca de quatro horas, com os dois filhos em casa, a Dra. Rosario esperou que o conselho municipal avaliasse sua agenda. A professora da Universidade da Carolina do Norte queria dar sua opinião numa reunião de zoneamento, já que a construção de um empreendimento em seu bairro ameaçava a água potável da região.

Quando o conselho chegou à sua pauta, um oficial de zoneamento a chamou de “senhora”, ela o corrigiu, pedindo que fosse chamada de “doutora”, seu título acadêmico.

O homem se desculpou e deu prosseguimento ao debate. Em seguida, outro comissário, Tony Collins, insistiu em chamá-la por “senhora”, e também foi corrigido.

O conselheiro afirma, então, que sente muito, mas que vai tratá-la apenas como Carrie Rosario, já que esse era o nome que aparecia para ele, e diz em tom provocativo: “Ei, Carrie”. Ela novamente o corrige e ele, por fim, explica que aquilo “não importava”. No dia 27, o conselho unanimemente destituiu Collins de seu cargo.


A conselheira Sharon Hightower, segundo o jornal The Lily, disse que aquele comportamento era “muito humilhante” e “bastante perturbador”. A oficial é negra e uma entre as três mulheres que compõem a cúpula municipal da Carolina do Norte. Hightower acredita que, se Rosario fosse branca, a situação teria sido diferente,por isso a única solução plausível era afastar o oficial.

Direitos autorais: reprodução YouTube/Inside Edition.

Rosario, de 38 anos, enxerga seu título acadêmico como uma ferramenta essencial, principalmente porque a maioria das pessoas estão predispostas a rejeitar sua opinião e experiência. No caso da reunião, ser chamada de doutora daria um peso positivo em sua fala, já que tratava de um assunto que envolvia saúde pública, sua área de formação. Ela não era uma pessoa sem instrução falando sobre algo que desconhece.


A doutora explica que, durante o ocorrido, deu diversas oportunidades para Collins ajustar sua linguagem, mas ele optou por ignorar seu título.

Ela é categórica ao afirmar que é um título que conquistou, não que lhe foi dado por alguém. A atitude reflete, segundo a professora, um comportamento sexista e machista, que encontra no racismo seu ápice.

Com uma rotina materna massacrante, Rosario começou seu doutorado em Saúde Pública em 2011, enquanto trabalhava em tempo integral e tinha um filho de 3 anos. Alguns anos depois, teve seu segundo filho, e precisava acordar todos os dias às 3h da manhã para amamentar o pequeno e tirar leite para o restante do dia. Como se não bastasse, ainda precisava permanecer acordada até a meia-noite para conseguir finalizar seu doutorado.

Direitos autorais: reprodução Twitter/@cmrosari.

Depois de muito sangue e suor depositados em sua formação, é natural exigir ser chamada pelo título devido: doutora. Rosario explica que os colegas da academia costumam desprezar com frequência seu título e, fora da universidade, muitos afirmam que ela “não tem cara de doutora”, por isso, com o passar do tempo, foi se acostumando a defender sempre sua posição.


As mulheres já enfrentam dificuldades por conta de seu gênero, mas as mulheres negras enfrentam duplo preconceito, de gênero e cor. Comumente, seu valor e sua capacidade são questionados, como se ela fosse incapaz de produzir ou trabalhar.

Collins, durante a reunião, afirmou que o título de Rosario “não importava”. Depois de enfrentar todas as dificuldades, depois de tanto defender sua posição na sociedade, sabendo de suas origens, ela sabe que ser chamada de doutora importa, e muito.

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