Quando duas almas se encontram…

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ÀS vezes, você não sabe quem pode aparecer na sua frente e roubar toda a sua atenção. Não como algo ruim, mas porque passa a não conseguir mais manter o foco total no Mundo ao redor. Vocês viram aquele par de olhos? Eu não consigo sequer parar de encará-los. Num egoísmo repentino meu, torço para que eu seja o único enfeitiçado do lugar. Difícil.



Por favor, não me pergunte o que acontece nesse exato momento em que tudo some, mas é algo lindo entre a admiração e o fascínio. E, assim, vou passeando pela figura que se desvenda num sorriso bonito e tímido, na fala mansa e voz suave. É preciso sublimar tudo que já foi passado para conseguir aproveitar o momento. Esquecer traumas e ignorar alertas. É deixar a mente aberta e ir.

De repente, a boca se mostra pronta para se abrir num beijo e fazer com que um dia sem importância nenhuma se transforme num acontecimento. Pode riscar lá no calendário que você nunca mais esquecerá. Todas as travas se afrouxam e há uma leveza interior que não era sentida há muito tempo.

O arrepio que sobe da pele e joga pra cima todos os pelinhos da nuca, o calor que esquenta os dois corpos que não conseguem se desgrudar, a atração irresistível surgindo feito energia cinética e estalando na roupa. Poderia ser muita coisa, mas na minha cabeça é como um presente. Sortudo sou eu. E ficam na lembrança aqueles dois mares mirando o chão, minha boca e depois meus olhos. Quase um balé em que eles procuram a coxia, mas sabem que o palco é seu devido lugar.


Fica a recordação de algo que quero muito. Muito mesmo de novo. Entretanto, sabe lá Deus se isso vai dar pé. Eu, do alto de toda a minha confiança, me torno um menino inseguro e indefeso. Procuro lugar para pôr as minhas mãos. Estando com ela ainda sabia aproveitar os puxões de cabelo, os apertos no corpo, os deslizes na pele. Sozinho, crio uma tendência em procurar coisas pelos bolsos, esfregar os braços e arrumar algo que as ocupe.

Fica aquele gostoso incômodo de ter o cheiro do perfume na roupa e demorar a colocar para lavar. Fica a sensação de provar o gosto na língua como o replay de um gol em final de campeonato com estádio lotado. O rodopio que a cabeça dá em casa ao pousar no travesseiro nada tem a ver com a bebida, mas com o frevo-mulher que, aparentemente, atropelou o curso natural da Vida. Ou que apenas a colocou no lugar certo.

Se pudesse, agora, congelaria aqueles (poucos) minutos entre eu, ela e aquela parede. Tenho certeza que até o próprio Tempo decidiu passar um pouco mais devagar só pra nos deixar ali. Pena que ele tenha se acostumado com isso e agora resolveu se arrastar. Se tivesse um único desejo, pediria mais daquele beijo.


Daquele encontro que eu nem imaginava que me fosse possível ter. Daquele inesperado momento em que você sabe que algo diferente acontece, mas ainda não sabe o que é. Do segundo em que se decide tomar tudo que é possível agarrar. Abrir braços e deixar que o atalho para um caminho desconhecido se faça. Continuar pela estrada em que o coração quer transformar o nó em laço.

Seguir sem pressa de descobrir que furacão foi aquele que acabou de passar.

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Por: Gustavo Lacombe – Publicado Originalmente em: Superela

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