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Quer saber o que ele sente por você? fale!

Como viver em um mundo em que precisamos falar constantemente sobre o que sentimos? Não seria tão mais prático se outras pessoas tivessem acesso ao nosso pensamento? Imagine: “fulano, eu estou a fim de você”. Mensagem visualizada. “Mãe, estou com fome e com preguiça de fazer a comida hoje”. Vv. “Chefe, estou esgotada, preciso de férias”. Ok.



Como não viemos ao mundo com um botãozinho que libera nossos pensamentos convenientemente, palavras precisam sair da nossa boca para conseguirmos relatar o que estamos sentindo ou passando.

E, olha. Muitas vezes falar o que se deseja não é simples. Seja um elogio, um pedido de desculpas, até uma declaração ou uma critica. Principalmente quando é uma declaração ou uma critica. Nós podemos até saber claramente o formato e a intensidade de nossos sentimentos, mas simplesmente não conseguimos organizá-los e expô-los em um discurso livre.

Eu mesma, enquanto dou conselhos amorosos, digo para minhas amigas o quão importante é para a relação que elas FALEM. O outro não tem como adivinhar o que se passa com você. Parece obvio. Mas não é. Na hora, as palavras saem correndo. Até abaixo os olhos para que eles não entreguem o jogo por mim.


A situação parece piorar um pouco naquele inicio gostoso de paquera. Estamos lá, naquele momento crucial onde tudo pode dar MUITO certo ou MUITO errado. Você precisa se impor, você precisa conquistar, você precisa ser legal, você precisa seduzir, meu Deus, é tanta coisa que temos que fazer, que não é de espantar que fiquemos desesperadas (se você chegou ao ponto de ler autoajuda de relacionamento, vem cá e  me dá um abraço). E aí, enquanto a gente deveria se sentir a Lynda Carter vestida de capa amarela, ficamos inseguras ejá era aquela coisa maravilhosa de expressar nossos mais sublimes sentimentos.

Aliás, já repararam que, é justamente quando gostamos de alguém que temos medo de nos abrir para o outro? Medo de falar que gostamos de desfrutar de sua companhia, que estamos pensando nele antes de dormir, que o coração acelera quando ele chega na porta da nossa casa, que o frio na barriga aparece toda vez que ele passa a mão sobre nossos cabelos.

As regras no mundo da paquera são claras: jogarás até que tenha reconhecido, finalmente, que perdeu o jogo. Mas não deixará de lutar. E aí, depois de ler todos aqueles manuais, decidimos que o melhor a se fazer é ficarmos mudas. Quanto mais a paixão cresce, menos queremos demonstrar. Dar o braço a torcer. Como se a paixão fosse sinal de vulnerabilidade. Esquece, muitas vezes realmente é.

E é nessa hora que fugimos, quando deveríamos colar. Depois que várias pessoas legais foram embora da minha vida, acabei descobrindo por eles mesmos o quanto se sentiam desmotivados com a minha indiferença. Ou seja, perdi momentos que poderiam ter sido incríveis porque o outro decidiu cair fora antes de se machucar demais.


Sei que muitas vezes ficamos vigilantes, apenas esperando o sinal deles. Uma brecha. Um elogio. Um olhar doce. Qualquer coisa que nos dê uma inspiração para nos fazer falar. Mas o que se vem é um silencio profundo. Os dois querem. Mas os dois não serão um casal. Orgulho? Timidez? Ego? Amor próprio? Burrice?

Eu admiro aquelas pessoas que têm coragem de falar abertamente sobre o que querem e o que sentem. “ei, eu quero você”, “ei, vamos ficar juntos hoje?”, “ei, eu to com saudade”, “ei, te amo”. São essas pessoas que conseguem o que querem. São essas que conquistam. Que são desejadas. Que, realmente, são dignas de admiração. Minha e sua. Ela pode receber um sim e ser feliz para sempre.

E, caso a resposta seja negativa, ela desiste. E sai igualmente feliz pela porta, prontinha pra viver sua vida. Essa pessoa nunca vai ter um prego chamado “e se” martelado na sua cabeça. Entende? Ela nunca vai criar suposições e cair na armadilha das ilusões, simplesmente, porque trabalha com fatos reais. Expectativas reais.


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