AmorDesenvolvimento Interior

Você tem certeza que ele é seu grande amor?

Trabalho em uma empresa que toda segunda, lá pelas 10h da manhã, envia o cardápio da semana. Hoje teve arroz, feijão, alguns legumes refogados, frango xadrez. Eu tive a certeza que iria comer arroz, feijão, alguns legumes e o frango xadrez.



Deixo sempre na sacada de casa, uma cadeira branca de plástico para ver o sol se pondo, tem dias, quando dá tempo, aproximadamente às 17h46 eu tenho a certeza que a cadeira vai estar lá, o sol nem sempre, mas a cadeira, essa eu tenho certeza que vai estar lá. Ok, nessas alturas você deve estar se perguntando o porquê de eu estar falando de arroz, frango xadrez e cadeiras, mas gostaria muito de fazer uma pergunta bem básica: onde estão as suas certezas?

Você tem certeza que quer estar onde está? Você tem certeza que a pessoa que está é quem vai te fazer feliz? E olha o quão pesado o que vou dizer: pa-ra o res-to da vi-da? E aí? Tem certeza? Dizem que o coração é burro. Eu discordo.

Quando alguma coisa está prestes a dar errado, é o coração o primeiro a dar os sinais. Você sente aquela angústia louca, que não consegue controlar. Às vezes ignora, finge que está tudo bem e, cheia de razão, vai lá e dá a volta por cima de qualquer que seja o sentimento maluco que ele esteja indicando. No papel está tudo ótimo. Na vida real, também. O trabalho está encaminhado, o namoro, sem maiores problemas, na família não tem ninguém doente.


Tudo está nos conformes, certinho, você não tem motivos pra reclamar. Aí surge um incômodo, uma inquietação. Você põe a culpa na curiosidade, você põe a culpa nas estrelas, você põe a culpa em qualquer coisa que passa mexendo na sua frente, pra aliviar da razão aquilo que o seu coração já está indicando: a falta de certeza.

Quem tem a certeza que ama de verdade entende que é preciso ter respeito, consideração e que se um dia uma das partes resolver se desligar da outra precisa verbalizar aquilo que sente. Que todo o esforço valeu a pena e que sempre saímos de um relacionamento melhor do que quando entramos. Que amor não se exige, se cultiva. E que não podemos obrigar o outro a ficar, embora seja terrível para quem é deixado. Quem tem a certeza que ama de verdade, suporta.

Porque assim como você tolera as falhas do outro as suas também são amenizadas. Porque para cada erro que vemos em alguém, outros 30 são vistos na gente.  E porque, via de regra, aprendemos mais sobre nós mesmos com outra pessoa do que somos capazes de enxergar.

Quando a gente tem certeza que ama de verdade não mendigamos nunca o amor. Já disse mais de uma vez que só amor não basta, que relacionamentos são mais do que um carinho aqui, outro ali, dormir juntinho e coisa e tal. Quem quer estar fica e quem não quer, é simples, vai embora. E não precisa necessariamente não amar mais, às vezes a gente cansa da vida, da rotina, da obsessão que aquilo se tornou, não tem mais certeza, não consegue resolver pequenos problemas e acha melhor, afinal, partir antes que seja tarde.


Não adianta chorar pelo leite derramado como se ele fosse secar sozinho – a lágrima misturada no leite molha ainda mais. Também não adianta colher as migalhas. Ainda que tragam de volta uma parte do pão, nunca o formarão inteiro de novo. Mas as certezas, acreditem, busquem por elas.

Achem alguém onde o coração possa descansar quieto, tranquilo. Mesmo porque quando você tiver essa certeza, você estará em paz. E saiba que você só terá a certeza que é amor quando lhe perguntarem sobre ele e você não pensar em uma definição, mas sim em um nome.

Amanhã é certo que vou comer yakisoba. Minha cadeira de plástico também estará lá. Certeza!

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Escrito por: Milene Guerra

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