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Você é dono do seu destino, mesmo que ainda não saiba disso

“Nenhuma dor é tão mortal quanto a da luta para sermos nós mesmos.” – Ievguêni Vinokurov



Tememos a liberdade. Lutamos e fugimos dela. Ser o dono do seu destino, carregar o peso das suas escolhas, “dar a cara para bater”, ser julgado, não ser o filho perfeito, traz à tona aquele sentimento temido por todos: o do desamparo.

A questão é que pensamos que teremos mais ganhos se mantivermos o status quo do que se partirmos para o que de fato queremos. Sabemos que podemos e desejamos mudar. Não gostamos do modo como as coisas são, mas a perspectiva de causar transtorno em nossa estabilidade e no que nos é familiar é assustadora. Se obtemos “ganhos secundários” com o nosso sofrimento, não podemos arriscar ficar sem nada.

Muitos utilizam da enfermidade, de um mal físico ou emocional, para perpetuar relacionamentos, mesmo à custa da liberdade e da autonomia. O que acontece é que dentro de nós existe a necessidade de segurança, proteção, amparo, estabilidade que vamos buscar no outro.

Os relacionamentos, na sua grande maioria, são constituídos da expectativa inconsciente de que a outra pessoa poderá suprir nossas necessidades não atendidas, nossas carências.


Como eu disse, são expectativas inconscientes. Não nos damos conta do que queremos de fato. Só sentimos a necessidade de suprir uma falta que não é, e nem nunca será, de responsabilidade do outro.

Se essas expectativas são conscientes, se conseguimos verbalizar e sinalizar, a tendência é que o relacionamento se desenvolva e prospere, pois temos clareza do que queremos e de como esperamos atingir o que queremos. Não existe uma ilusão e nem uma sobrecarga de responsabilidades em cima do outro. Trazer para a consciência essas necessidades, essas expectativas, significa correr o risco da frustração. Significa estar consciente de quem você é, do que você quer.


No entanto, para esse encontro consigo mesmo, para seguir nesse processo de autoconhecimento, de querer ser melhor, de querer ser mais você, é necessário não somente o reconhecimento, a conscientização das necessidades, mas também a consternação. Segundo Stanley Rosner e Patrícia Hemes, no seu livro “O ciclo da autossabotagem”, a consternação significa admitir o próprio comportamento, admitir o que poderia ter sido, mas nunca foi. Significa vivenciar a mágoa e a dor da decepção, da desconsideração, o medo da perda, e enxergar o crescimento como libertação da dor, encarando isso não como um fracasso, mas como um movimento em direção ao futuro. Significa deixar para trás a bagagem do passado, mas não ignorá-lo. Entendê-lo como experiência, aprendizado e impulso para o futuro.

Compreender o que estamos fazendo, ter consciência do que estivemos fazendo por muito tempo, estar conectado com os nossos sentimentos e encará-los faz parte do processo de se sentir livre. É necessário entender e admitir que nossa maneira de viver não se deve a uma casualidade, destino ou a um acidente de percurso.

Nossa vida é constituída pelas escolhas que fazemos a cada minuto. É difícil encarar que somos nós quem boicota nossos relacionamentos, que somos nós os responsáveis pelas dificuldades enfrentadas etc.

Com frequência, sabemos o que nos espera quando tomamos determinada atitude. Lá no fundo pode haver dúvidas e incertezas, mas prosseguimos. Só depois vamos ter certeza de que nossas dúvidas eram bem fundamentadas, e teremos que aceitar a escolha daquela decisão. Independente de qual seja nossa escolha, consciente ou inconsciente, ela é nossa. E somente nós poderemos dizer e assumir a dor e a delícia de ser quem somos e o que queremos ser.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Amor. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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