O que ninguém conta sobre morar sozinho

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Com o início da faculdade, um ano e três meses atrás resolvi que era hora de adquirir mais maturidade e dei início a um novo ciclo em minha vida, saindo de casa e indo morar em Porto Alegre. Os avós, que me faziam companhia logo de início, regressaram para São Lourenço. Na teoria, agora vivo com meus tios, mas basicamente sozinha na prática.



 

É engraçado que com dezessete anos a gente acha que sabe de tudo e ignoramos todos os conselhos achando que não passam de bobagem. Afinal, no mundo perfeito criado em nossa mente, não há espaço para problemas inesperados e muito menos para a temível vontade de voltar, o que acaba caindo por terra já nas primeiras semanas.


Percebi a mudança significativamente quando liguei a televisão e não tinha ninguém com quem disputar o controle remoto. Descobri que domingos são insuportáveis, principalmente depois das seis da tarde, e que tudo aquilo que eu imaginava ter a chance de fazer – mesmo tendo a oportunidade – aos poucos foi perdendo a graça. Que a expectativa de festas 24hrs por dia e bebedeiras intermináveis é apenas ilusão, já que a realidade se resume em virar noites na frente do computador fazendo trabalhos da faculdade ou matando a saudade dos amigos.

Aprendi que faxina com música alta pode ser uma ótima terapia. Que meias sujas, quando viradas do avesso,  se transformam em meias limpas. Que a despensa não se enche sozinha e existem outros setores além do de doces no supermercado.  Que o gás um dia acaba. E, com certeza, que a resistência do chuveiro selecionará o dia mais frio possível para queimar.

Andar de calcinha e sutiã em casa sem se preocupar é ótimo, porém tu te odiará muito quando esquecer de levar a toalha para o banheiro e não tiver para quem gritar (leia-se mãe). Também é importante que se prepare para perder o horário algumas vezes, já que ninguém te acordará caso o teu despertador não toque.


Não te contarão que tu, que sempre odiou feijão, vai se pegar num dia qualquer sentindo falta daquele que só tua mãe sabe fazer. Inclusive, tu sentirás saudades até das brigas com ela. Das implicâncias. Do fato de estar perto, mesmo que sem nenhuma conversa, simplesmente por estar.

Talvez te digam que o silêncio é bom, mas não te lembrarão de que silêncio demais enlouquece. Que pode ser meio solitário não ter com quem dividir uma pizza. Ou que olhar pro lado e se perceber sozinho no meio de uma multidão é uma das piores sensações, já que ninguém ali faz ideia de quem tu és.

Nesse pouco mais de um ano, acho que cresci por uns cinco, no mínimo. Mudei. Acabei descobrindo muitas coisas, e com tudo isso, achando tempo para me descobrir também. Fui para casa várias vezes, viajei bastante, porém tenho consciência de que a maior viagem que fiz foi dentro de mim mesma.

De tudo isso, o que fica é uma grande experiência. Saudade dói, e muito! O novo assusta, mas é nessas horas que a gente aprende mais – nem que seja na marra – e começa a gostar da nossa própria companhia. Cresce.

 

Via Agência Yaih

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