A vida é um pesado fardo?

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“Viver não é um fardo. Viver é preencher o campo afetivo de luz e paz”. (Roberto Shinyashiki)



A vida é uma consequência, e sendo válida tal afirmação, tudo que gira em torno do homem é uma decorrência de sua natureza inteligente direcionada para a expansão da consciência. No entanto, esta “expansão”, a qual somos impelidos por uma força chamada Deus, encontra-se dependente de um processo de descoberta de si mesmo inserido no contexto da vida, denominado autoconhecimento. Portanto, tudo que pesa excessivamente na trajetória vital, o qual batizamos de “fardo”, é a consequência das escolhas individuais baseadas no egocentrismo, que representa a direção contrária da evolução consciencial e da leveza da alma.

Nesta lógica, somos o resultado, ou seja, a síntese do que veio “antes” associado ao que processamos no “agora”. Por isso, a sensação de peso sendo carregada vida afora, sem que este estado de coisas se altere no sentido de uma direção contrária, isto é, que torne a vida mais leve. O fardo que sentimos, na verdade, são as dores da alma manifestadas de diversas formas, desde as patologias que somatizamos até as limitações e bloqueios que paralisam a livre e saudável expansão da essência. Situação que turva a lucidez e confunde o discernimento sobre as escolhas que podem levar-nos a caminhos sombrios ou a caminhos iluminados da existência.

A vitimização é um exemplo de severo bloqueio do potencial inerente a cada ser dotado de inteligência, pois faz com que o indivíduo pense que não pode ou não consegue fazer as mudanças que deseja na sua vida, seja por causa dos outros ou por razões que não se pode definir convenientemente, e que, misteriosamente, “colocam-no fora das coisas”. Sente que a vida é injusta, que tem justificativas para não ser bem-sucedido e que a sorte nunca bate à sua porta, prejudicando-o nas várias áreas de sua vida, a ponto de alimentar constantemente o sentimento de fracasso.


Esta fixação mental, que compromete a saúde do indivíduo, torna-se responsável pelo surgimento de várias doenças, como a depressão, o pânico e a fobia, entre outras. Condição que pode levar o indivíduo a severos quadros de origem obsessiva, pois a insatisfação com a vida é um desequilíbrio que rende juros em forma de revolta e mágoa.

O medo reside no sofrimento do passado, que alimenta-se do presente e gera dor no futuro. Destruir o passado é o mesmo que abandonar uma parte de si mesmo. O ideal não é “esquecer”, mas viver em paz com o passado para que o futuro não gere mais sofrimento e dor ao indivíduo.

“Vinde a mim todos que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo”. Inicialmente, é necessário para melhor compreender a metáfora crística, o sentido apropriado dos termos jugo e fardo. 


Segundo o dicionário Aurélio, jugo, que também significa canga, pode ser definido como “pau que carregadores põem nos ombros para suspender fardos”. Por sua vez, fardo pode ser compreendido como carga, volume. Fardo e jugo podem ser vistos, respectivamente, como o que temos de missão e como escolhemos cumpri-la. Neste sentido, o cumprimento de nossa missão no presente, entremeado de apegos, reclamações e insatisfação, pode tornar-se a “vara” onde carregamos nosso “fardo”, mais pesada do que nos comprometemos a carregar no planejamento reencarnatório.

Portanto, o fardo da vida é o próprio indivíduo que tem de cuidar. Isto significa avaliar a verdade de seus sentimentos, pois, os sentimentos mais profundos, mais incômodos e mais traiçoeiros estão a denunciar a natureza de seu fardo. Nesta direção, através do autoconhecimento, o trabalho da alma que cresce é dissolver os traumas, as tristezas, os apegos e os bloqueios colecionados ao longo de muitas vidas e assimilar o aprendizado de que a vida não se torna um fardo pesado de carregar quando temos compromisso firmado com a nossa essência.

por Flávio Bastos

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