5 situações em que perdoar o próximo requer tratamento emocional

Todos os tormentos emocionais que passamos são derivados de traumas e medos. Muitas vezes esses tormentos estão ligados a um perdão que precisamos liberar porém não conseguimos, ou fingimos que conseguimos e tentamos seguir em frente sem nos darmos conta que pensamentos recorrentes e traumas ainda continuam lá martelando nosso subconsciente, atrapalhando nossa vida sem que nos demos conta do que realmente acontece conosco.

Sabemos que devemos perdoar, tirar o lixo de dentro para seguirmos em frente em paz, mas quando o processo envolve um trauma grande, uma perda irreparável, perdoar não é tão fácil, não se trata apenas de uma simples decisão, mas sim de todo um processo de aceitação e cura.

Separei 5 situações onde perdoar requer tratamento e acompanhamento profissional ou espiritual:

1. Vítimas de crimes e abusos

Quem foi vítima de abuso na infância ou adolescência dificilmente decide perdoar do dia para a noite e se limpar completamente, apagando as lembranças. Geralmente vítimas desses crimes sentem culpa (apesar de não terem culpa nenhuma), fecham-se para relacionamentos ou caem em depressão. Muitos procuram religião, frequentam e se identificam com ideologias religiosas, melhoram o comportamento, vencem alguns medos, mas não se libertam totalmente, frequentemente os restos que ficam no subconsciente apontam o trauma, não deixando a vítima seguir em frente.


2. Vítimas de difamações graves

Não falo aqui das fofocas das quais todos nós já fomos vítimas um dia, falo da difamação caluniosa que causa perda, destrói relacionamentos importantes, prejudicam drasticamente a vida da vítima, tornando difícil ou, às vezes, até impossível recuperar a credibilidade, mesmo provando inocência, depois que o dano é causado, se o culpado não for apontado e punido, dificilmente a vítima conseguirá perdoar e seguir em paz.


3. Humilhação por dependência financeira

Depender financeiramente de alguém que humilha constantemente o dependente causa danos irreversíveis à vítima. A maioria consegue se livrar da situação procurando trabalho e se virando como pode, mas isso torna a vítima uma pessoa totalmente diferente e desconfiada. Muitos enxergam a vida profissional bem-sucedida a única forma de ser feliz, ficam viciados em trabalho e mesmo conquistando uma vida financeira mais tranquila, não conseguem aproveitar os bens que adquirem e acabam sofrendo de depressão, ansiedade e compulsões diversas.

Os que não se enquadram com a maioria, aceitam a humilhação, achando que não são capazes de fazer nada que os tire da dependência, caem em depressão, são possíveis suicidas e levam uma vida apática. Algumas donas de casa sofrem com a dependência financeira e se matam cuidando de filhos, da casa, acabam trabalhando e se cansando o dobro do provedor, são desvalorizadas e vivem esgotadas, e mesmo assim se sentem inúteis.

A mágoa por ser humilhado por depender financeiramente de alguém é uma das mais difíceis de remover, por isso perdoar nesse caso é muito difícil.


4. Vítimas de crimes de ódio e intolerância

Muitos hoje vão para as redes sociais e ganham o apoio de todos, porém, a dor de ser hostilizado, ridicularizado e ofendido por não se enquadrar em um padrão específico, ser considerado mais fraco, seja por questão de raça, condição social, gênero, etc, pode causar transtornos sim, por isso vemos todos os dias e continuaremos a ver pessoas confessando depressões, doenças entre outras coisas pelo simples fato de terem ficado profundamente magoados pelas ofensas sofridas.

É moda dizer que não devemos nos importar, é moda mandar denunciar às autoridades, é moda se revoltar nas redes sociais, é moda aconselhar a perdoar e esquecer.

Ninguém fala do que se sente quando se deita na cama sozinho e os pensamentos torturantes começam a atrapalhar a vida da vítima, gerando dor e ansiedade. Ninguém quer confessar que foi atingido, por isso acaba assumindo a postura de justiceiro apoiador de causas, para que as desigualdades sejam respeitadas.

É claro que todos precisamos respeitar e conviver em paz uns com os outros, devemos lutar para que o respeito prevaleça sempre, mas as feridas provocadas pelas ofensas devem ser aceitas e tratadas.

Ninguém deve jamais se sentir parte da minoria, pois o normal é ser único.


5. Perder entes queridos assassinados

Como perdoar alguém que matou uma pessoa amada e cara para nós? Muitos religiosos fazem discursos maravilhosos, mas o que se sente de verdade diante de uma situação assim?

Veja bem, falo aqui de sentimentos, não de ideais cristãos, ok? Uma mãe e um pai que perdem um filho assassinado por bandidos conseguem seguir em frente e perdoar fácil?

Sabemos que em casos assim é muito mais difícil perdoar. Muitos se revoltam até com Deus.

O perdão é necessário, precisamos seguir em paz, porém devemos entender que nós somos seres frágeis dotados de muitos sentimentos que não compreendemos. Justamente por isso, devemos ter em mente que respeitar o próximo é respeitar a si mesmo, pois a lei do retorno sempre trará de volta para nós o que enviamos a ela.

Que Deus o abençoe sempre!


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