A culpa foi minha por idealizar tanto!

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Tanto eu tinha para viver ao seu lado… tanta coisa para dizer. Agora, com o coração em pedaços, preciso tratar de me refazer.

Preciso me refazer de tantos planos frustrados, de tantos lindos sonhos friamente assassinados. Tanto amor desperdiçado, e tanto amor ainda por fazer… tanto abraço guardado, que nunca mais darei em você. Dói em mim, tanto que eu não consigo sequer expressar.



Como eu gostaria de arrancar meu coração e jogá-lo em alto mar, com certeza doeria menos do que a sua indiferença.

Antes um tubarão faminto para devorá-lo, do que essa saudade que me mata lentamente, segundo a segundo, dia após dia.

Não quero guardar lembrança alguma de nós dois, não quero lembrar do quanto loucamente nos amamos nessa vida. Não faço questão de guardar recordações bonitas dos dias felizes.

Quero esconder as feridas. Deixe meus dias cinza… as cortinas estão fechadas mesmo, não faz diferença alguma.


Como eu quis você! Mais do que criança atrás do bolo de chocolate da festa de aniversário, mais do que qualquer pessoa já ousou querer alguém.

Mal sabia eu que esse querer se tornaria meu calvário e que logo em breve eu deixaria de ser seu bem.

Entreguei… entreguei tudo que tinha e mais. Mas não fui capaz de fazê-lo ficar. O seu medo e despreparo perante a vida, falou mais alto… só me resta lamentar.


Que péssima escolha você fez por nós dois, condenando-me à solidão! Espero que você nunca se arrependa, porque não terá mais volta, não.

Vou doar tudo que seja seu, apagar qualquer vestígio da sua existência no meu computador, para ver se assim, quem sabe, não consiga também apagar um pouco desse amor.

Vou rasgar tuas fotos; jogar fora e me mudar. Para qualquer lugar onde eu pare de vê-lo por todo canto, onde possa cessar meu pranto, onde o “nós” não exista.

Pensando bem, preciso me mudar de mim.

Já que eu me abandonei para acolhê-lo aqui dentro, e me fiz escrava do meu próprio sentimento, do qual não pareço querer me alforriar.

Mas a culpa é toda minha, admito, ignorei os sinais tão claros, passei por cima dos seus erros e acreditei que você pudesse mudar. Confiei no seu choro, baixei a guarda para lhe dar consolo e agora, quem é que vai me consolar?

Você me virou as costas, ainda jurando amor, mas dizendo que não pode ficar. O que fica é uma enorme interrogação, massacrando meu coração e me inundando de tristeza.

A culpa foi minha, que quis fazer de você um homem, sem me ater às suas limitações. Que projetei em cima de você todas as minhas expectativas, que tracei todo um futuro, sem prestar atenção no presente.

A culpa foi minha, que o idealizei muito além da realidade; que não quis, de jeito nenhum, admitir a verdade, que construí a minha vida em cima da sua, sem ao menos perguntar se você poderia aguentar.

A culpa foi minha, que o arrastei pelos braços, quando era nítido que você não queria ficar.  Minha culpa, por colocá-lo como co-autor dos meus sonhos, os quais você nunca disse que iria sonhar.

A culpa é toda minha, por nunca ter me contentado com o pouco que você podia me dar.

Por ter insistido tanto em reticências, enquanto você já tinha virado a página.

Eu deveria ter ficado quieta no meu lugar.

Culpa minha, que tenho essa mania boba de seguir a emoção e a razão ignorar.

Mais uma vez você se vai, como um furacão, deixando tudo dentro de mim fora de lugar.

Mas não se preocupe não, a culpa foi minha, deixe que a minha bagunça, só eu mesma posso arrumar.


Direitos autorais da imagem de capa: Jake Noren on Unsplash

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