A escolha amorosa e o barba azul

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A história do Barba Azul fala de um aspecto muito interessante dentro de nossa psique, seja de homens ou de mulheres, que está relacionado às coisas que nos boicotam.

É um aspecto muito profundo relativo à escolha do parceiro. O enfoque será sobre a psique feminina.



Era uma vez, um senhor com uma barba azul, grande, comprida, que afastava as pessoas pelo seu aspecto grotesco. Esse homem estava procurando uma mulher para se casar. Por sua vez, existia uma família de três irmãs e uma mãe. Um dia ele acabou convencendo essas mulheres a fazer um passeio pela floresta. E foi um dia muito agradável. Barba Azul foi muito gentil. Eles cavalgaram. Havia cachorros brincando. Ele ofereceu muitas guloseimas para essas mulheres.

Ao final do passeio, elas voltaram para casa muito felizes, conversando sobre como tinham passado horas agradáveis juntas. E então, a irmã mais nova disse “Até que ele é um bom homem, a barba dele não é tão azul assim”. Mas as irmãs mais velhas discordaram: “De jeito nenhum. Eu me recuso a sair com Barba Azul, ele é repugnante”.

Um tempo depois, a irmã mais nova acabou aceitando se casar com ele. O casamento aconteceu com muita pompa, porque Barba Azul era dono de um castelo muito grande, cheio de riquezas e luxos.


Após o casamento, Barba Azul partiu em viagem, e antes disse para a mulher: “Aqui estão todas as chaves do castelo.

São cem chaves nesse molho e você pode fazer o que quiser durante a minha ausência.  Você só não pode usar esta chave”. E mostrou para a esposa uma chave com um arabesco desenhado. E, assim, Barba Azul partiu. No outro dia, a esposa e as irmãs pegaram o molho de chaves e começaram a abrir todas as portas do castelo. Cada porta que elas abriam havia uma surpresa: móveis, tesouros, quadros e assim por diante. Ao final, perceberam que sobrara uma última porta, lá no fundo, e a chavinha com o arabesco.

Elas escutaram um barulho de porta rangendo, e ficaram curiosas para saber de onde vinha aquele barulho. Resolveram abrir a última porta e entrar. Só que estava tudo escuro. Então, pegaram uma vela para iluminar o quarto.

Apavoradas após descobrir o que havia no cômodo – caveiras, ossos e poças de sangue no chão – ficaram desesperadas, fecharam a porta e desceram correndo (calma, é só uma história). A mais nova, casada com Barba Azul, ficou em pânico porque a chave começou a pingar sangue, e quanto mais ela tentava limpar, mais sangue saía. Ela pediu ajuda para a cozinheira, mas não adiantou. Sem solução, ela guardou a chave.


Quando Barba Azul chegou, após cumprimentar a esposa, perguntou sobre o molho de chaves.

Ao pegar o molho e perceber que a chave do arabesco não estava ali, o esposo ficou furioso, e disse para a esposa que ela não poderia ter desobedecido. Por isso, ela seria a próxima vítima. Ao perceber que não poderia escapar, a moça pediu alguns minutos para se despedir e pedir perdão para Deus. Como ele concedeu, ela imediatamente começou a subir as escadas correndo, na esperança de que os irmãos aparecessem para salvá-la. Enquanto isso, o esposo começou a segui-la pelas escadas, e no momento em que ia agarrá-la, os irmãos chegaram e a salvaram. Fim.

Qual é a lição dessa história? Todos nós temos um Barba Azul na psique.

Ele é um sabotador da nossa liberdade, é aquilo que nos impede de mudar, é aquilo que consome nossa energia e nos deixa fracos, é aquilo que nos dá medo da mudança, é como se fosse o ego, é uma parte da nossa sombra que nos impede de evoluir. Ele faz com que tenhamos certas escolhas que são letais para a nossa vida. Ele tira a nossa vontade de viver. Muitas mulheres se casam enfeitiçadas com os parceiros, procurando status, ou um apoio, ou procurando uma vida mais cômoda. E após o casamento, passam a viver menos, não mais. Isso ocorre porque elas se casam enquanto são ingênuas a respeito dos predadores da psique, e escolhem um parceiro destrutivo para com a vida delas. Nesse tipo de relacionamento, elas ficam determinadas a curar (mudar) esse homem.

Esse é o principal sentido da história. A mulher se deixa seduzir por alguma troca que é interessante para ela naquele momento: companhia, instinto, padrão de comportamento, comodidade, status, um sonho infantil, apoio. E então, ela opta por caminhos na vida que, no íntimo, não são exatamente aqueles os papéis que ela deveria desempenhar.

Isso significa que muitas vezes eu posso estar me traindo e tomando decisões que são ruins para mim.

O lado bom da história é que existe uma voz lá dentro, a intuição, que está me avisando sobre isso, que são as irmãs mais velhas da história. São pequenos sinais (intuição, sonhos, vozes amigas, conversas, uma experiência) que me mostram que ainda não estou madura o suficiente para fazer aquela escolha. E está tudo bem, porque, esse tipo de escolha não tem urgência.

A reflexão de hoje é: o quanto o Barba Azul já interferiu ou interfere na sua vida?

Porque sempre é tempo de mudar!!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF / gstockstudio

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