A grande contradição do mundo: as pessoas se debatem, loucas por amor, mas sem a menor capacidade de amar

5min. de leitura

Forte é mesmo aquele que não precisa de amor?

Não se sinta culpado ou desprivilegiado por estar sufocado no vazio da solidão. O mal do século é o mal do amor. Diante de tantos egoísmos, soberba e baixa de autoestima, as pessoas ficam muito mais resistentes a demonstrações de carinho e, assim, afastam os seus.  Criado este distanciamento, fica mais difícil de maturar os relacionamentos e, então, a solidão parece ser o destino certo de quem deseja atenção, mas não sabe dispor da mesma.



Nos dias atuais, onde os valores são invertidos, ser gentil, mostrar interesse e preocupar-se com o outro é sinal de fraqueza, quando independência e desprezo passam a ser estímulo de atração.

Mesmo que essa força admirável de superioridade seja, de fato, superficial, uma vez que todos precisam de amor para viver, têm suas fragilidades e jamais serão independentes do contato de afeto, ela vira o valor do ser humano. Forte é quem não precisa do outro, então origina-se uma realidade hipócrita porque, no fundo, essa postura de independência é exatamente uma estratégia para ser amado. É uma fórmula que todos sabem que funciona, entretanto, nem todo mundo consegue suportar viver nela por muito tempo. Exatamente por essa intensa necessidade de se relacionar.

Então, o que acontece é um ciclo vicioso, onde a falta de amor gera um complexo de inferioridade.

A pessoa que se sente pequena cria naturalmente uma necessidade de mostrar-se superior e, assim, o faz através da arrogância e na economia ou escassez de afeto. Com isso, forma-se uma legião de seres que querem admiração, mas são incapazes de retribuir a mesma consideração. Sinceridade vira munição para traição, quando alguém usa do ponto fraco que você revelou em confiança para lhe atingir. Então, falta honestidade, mas sobra maledicências no mundo das dissimulações.

Receita perfeita para essa maravilhosa vida virtual de pessoas que sorriem nas fotos da rede social, mas choram no travesseiro. Então, a busca incessante por aplicativos de relacionamentos, ou a facilidade de desabafar com qualquer estranho na internet, como também, essa urgência em satisfazer os desejos, nada mais é do que um conjunto de fatores que apontam para um vazio de amor e uma fome gigantesca de criar laços de afeto.


Esses artifícios momentâneos tornam-se paliativos para a lacuna de amor dentro de si, embora jamais vire a cura. Porque o verdadeiro amor, só se alcança com amor.

Porém, diante do desconforto equivocado na troca afetos, as pessoas velam sua carência tentando compensá-la com exibicionismo, beleza, jovialidade, independência e sensualidade, quando, na verdade, mais do que sermos desejados e admirados queremos mesmo é nos sentirmos amados. E para que isso aconteça, nem botox, nem corpo sarado, personalidade forte, nem milhares de curtidas ou seguidores surtirão efeito. Apenas a bondade que temos no coração e a capacidade de usá-la em amor é que nos eleva a seres verdadeiramente dignos de admiração.

E mesmo que eu ou você nos déssemos conta disso, de que o mal do mundo é apenas uma questão de amor, ainda não seria suficiente.

Porque a partir do momento que você se propõe a dar e demonstrar carinho, as pessoas o rejeitam, já que não estão preparadas para um relacionamento maduro, exatamente pela falta de autoestima, gerada pela lacuna de afeto criado pelo seu passado. Elas não acreditam serem merecedoras do seu carinho, então, apesar da ânsia de amor, elas o julgam fraco e inferior ao amá-las.


E vira a grande contradição do mundo, uma vez que, a maioria das pessoas se debate louca por amor, mas sem a menor capacidade de amar.


Direitos autorais da imagem de capa: Chris Hsiao / Unsplash

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.





Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.