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A incompreensível força de quem resiste à tristeza

Não há pecado em estar triste. Só não é uma boa ideia dar muito espaço à tristeza. Aí entra um colo, uma conversa, uma ajuda, oração, meditação, introspecção.

Ela pinga, escorre e em alguns momentos jorra pela nossa face, nossa alma, pelo coração. A tristeza é esperta, brinca conosco até nos momentos felizes, disfarçada de um sentimento que nem entendemos, um desconforto.


Ela testa nossa espiritualidade. Mesmo quando entramos numa onda de gratidão, onde vibra o amor, quando parece que tudo está bem, lá vem ela sorrateira para dizer que está presente, mesmo maquiada.

E, claro, nós nos culpamos, porque na nossa percepção não há espaço para coisas tristes.

Estamos tão ocupados em fazer parte do que há de melhor no universo e manifestar a imagem verdadeira de Deus, do bom, do belo que revisitar uma tristeza parece impossível, inaceitável.


Ela bate, a gente não aceita sua entrada, não entendemos o que ela quer dizer, trazer, lembrar até paramos para compreender porque este sentimento está emergindo de dentro de nós e então, despistá-la mais uma vez.

Choramos em gotas, rapidinho, secamos logo as lágrimas, refazemos o olhar e as feições porque ela é contraste, traz exatamente o que parece o nosso ponto fraco, indica que estamos num ciclo de energias contrárias e não no lado da luz.

E quando ela insiste em se instalar, dentro e fora de nós, pedindo arrego, atenção? Ah, é complicado!


É por não querermos nos mostrar fracos, apáticos, mas é preciso reconhecer que sempre há uma tristeza em algum canto do nosso ser, seja por um motivo especial, banal ou até sem motivo algum.

Há quem diga que tristeza tem que ser ignorada, não levada a sério, tristeza não é para os fortes. Ledo engano, um dos homens mais fortes, inteligentes, espiritualizados que temos conhecimento, Jesus Cristo, também viveu dias não tão felizes.

A gente no fundo tem receio da tristeza, porque ela vem de uma experiência desagradável. Não queremos pedir arrego, abraço, atenção, então criamos um personagem que parece uma fortaleza, que sorri, que aparenta estar sempre tudo bem ou que tudo vai se resolver logo. Pura resistência.

Quem não tem lá no fundo uma dorzinha que incomoda, que afeta psicologicamente, que mexe com o ego? Esta tristeza já foi verso para muitos poetas, enredo de muitos filmes, letra de muitas canções.

Só não queremos admiti-la porque este parece ser um sentimento de quem está afastado de Deus, da Fonte Maior que é amor. É uma cobrança desgastante e cruel. Não há pecado em estar triste. Só não é uma boa ideia dar muito espaço a ela. Aí entra um colo, uma conversa, uma ajuda, oração, meditação, introspecção.

A gente reclama da tristeza e de outros sentimentos que podem acompanhá-la em certas ocasiões, como desânimo e apatia.

Tristeza cansa e quem sente sabe disso pelo simples fato de a gente saber o que é não estar triste. Até porque ninguém cansa de ser feliz.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF/zulmanvideo


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