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Amo-te: o peso e a leveza de dizê-lo

Ouvir um “eu te amo” pode trazer transformações ao seu ser…



Como estudiosa das letras, sempre me pergunto acerca dos efeitos dos ditos e não ditos! Tenho um carinho todo especial pelo amo-te, afinal o que de fato acontece na alma do amante? O que acontece na alma daquele que ousa corajosamente dizer amo-te? E como fica aquele ou aquela para quem a frase se dirige?

Aqueles que o dizem com a sinceridade de um coração desprovido de defesas têm a alma atingida por um tremor nervoso. É como uma onda que nasce no peito, com a grandeza do mar implícita, disfarçada, e que, de agora em diante, nem mesmo caberá em sua fonte. É como ser arrastado por uma força estranha que traz alívio pelo dito, afinal quem suportaria tal onda e medo pela altura que coloca você em prontidão de queda livre? Quem diz amo-te, com profundidade, faz a única coisa a ser feita: dá liberdade ao que não poderia permanecer enterrado!

Talvez, aqueles a quem se dirige a fala também acabem por se abalar. Ouvir um “eu te amo” pode trazer transformações ao seu ser.


Afinal se você toma conhecimento de ser amado, seu carinho por si também muda. Para muitos, isso é uma surpresa. Não nos damos conta, mas não andamos por aí pensando no amor dos outros por nós. Esquecemos disso e acabamos andando vazios e não cheios. Cheios são aqueles que sabem reconhecer o amor do outro. Esses andam por aí com um sorrisão, não se abalam nas pedras da vida, porque sabem o quanto são amados, mesmo sem merecimento. Afora isso, saber-se amado pode criar certa obrigação e mudar sua vida. É quase um compromisso implícito.

Declaração de humanidade

Mas entre tudo, o que mais me assusta é o medo de sustentar essa frase, de assumir a envergadura da palavra e abrir-se a ela e seus efeitos, seja dizendo a mim ou a outro. Por certo, não há frase mais bela, não há frase com mais força. Há nela uma comoção profunda capaz de nos unir intimamente a nós mesmos ou a outro ser. É uma declaração de humanidade, frágil, absoluta na fragilidade e na força. Quanta força há em expor fragilidade. Quanta força há no amo-te! Quanta coragem há em dizê-lo sem esperar que o outro possa dar conta de recebê-lo. Quanta serenidade há em observar o efeito lento que isso traz para a alma. Quanto alívio se pode colher em deixar fluir a beleza de amar.

No amo-te, o que mais me choca é saber que “ele” só pode ser dito e sentido sem motivos. Não há uma explicação por que essa onda se forma em cada um. Cada ser tem jeito próprio de manifestar e receber amor. Às vezes, somos premiados pelo destino e expressamos do jeitinho que o outro entende e fazemos dele um ser amado; às vezes, não.


Há situações em que nos esmeramos para que o outro entenda o amo-te, com tudo o que sabemos sobre ele, mas não é suficiente ele aprender amar de outro jeito. Há pais que trabalham séria e constantemente para assegurar uma vida tranquila aos filhos, e isso é amor. Há outros que negam “mordomias” porque entendem que isso prepara seu amado filho para a vida, e isso é amor. A maioria dos filhos entende como desamor a ausência e a rigidez, e andam por aí vazios do amor dos pais.

Há quem declare seu amor em palavras, há quem não saiba dizê-las e traga no olhar a profundidade de sua alma. É importante que nos demos tempo para olhar para o como o outro nos oferece amor. É preciso também identificar como esperamos receber amor. Quais atitudes do outro fazem de mim um ser amado.

Por muitas vezes, não é amor que falta, mas tomarmos o amor do jeito que o outro sabe ofertar.

 

Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Amor: Olha Shtepa/123RF Imagens.

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