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Aqui se faz, aqui se “aprende”!

A nossa cultura tem um pensamento muito pequeno em relação a vida. Nessa visão é comum ofendermos a Inteligência Universal, considerando-a burra, omissa e indiferente a nós. Quando não fazemos isso, costumamos crer que essa “inteligência” use meios “ignorantes” como a tortura e a punição, crendo que ela seja raivosa ou que possua a mesma instabilidade das emoções humanas.



Mas, a verdade é que essa Inteligência Universal não é chamada assim à toa. Ela é chamada assim porque é sábia. Muito mais sábia que a “esperteza” humana pode conceber.

A vida atua dentro de mecanismos que garantem o equilíbrio Universal e o pleno desenvolvimento de todos os seres. Todos, não só você. Ela garante a sua evolução, assim como da barata, da plantinha, ou de qualquer outro ser vivo. Você pode ser mais consciente, mas para a vida você não é mais valioso. Dentro da escala da vida cada coisa cumpre uma função diferente, só que com mesmo valor de importância. Para que cada coisa cresça existe uma lei que procura garantir isso, que é a Lei de Justiça.

Sei que você provavelmente é daquelas pessoas que se diz justa, que acredita em carma, em faz paga, em “foi ruim vai arder no inferno”. Sinto te dizer: você não é uma pessoa justa. Você é uma pessoa vingativa!

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Você não quer ver as coisas pelo lado da evolução. Não quer compreender o Universo como um todo. Você só quer enxergar pelo seu lado, porque se considera o centro de toda existência. Você com esse seu olhar de pobrezinho sempre se vê como a vítima das coisas (nem me faça me lembrar quantas vezes você mudou a história pra sua mãe, pra parecer que o culpado não foi você). Você julga tudo pela metade, se acha o juiz que Deus pôs na terra pra julgar os vivos e os mortos.

Agora eu preciso lhe contar que a Justiça Universal não funciona como você imagina.


Você sempre quis que as pessoas pagassem porque você é cheio de mágoas. Você sofreu muito na vida, teve muitas decepções, lutou demais, se julgou pecador e pecadora, daí pensa: Como alguém vai fazer o mal, ser perdoado, e depois de tudo que fez sair sem sofrer? E eu, que tentei ser boazinha, tive que sofrer tudo isso? Ah não, fez vai pagar sim, fez vai sofrer sim, fez Deus vai castigar sim.

Você tem essa ideia porque foi criada assim. Na sua casa era assim, fazia algo errado apanhava.

Na sociedade é assim. Fez algo errado vai preso. Daí você acha que a vida faz igual.


Só que não faz.

Claro que os pais precisam impor limites a seus filhos. Só que a dor por si só nunca lhe ensinou nada, pois o que ensina é o entendimento. Não adianta só bater no seu filho pra ele não entrar na piscina. Muito mais eficiente é você mostrar os riscos. E muito mais seguro é ensinar a nadar.

Na justiça humana é claro que aqueles que burlam as leis precisam responder a elas, e serem contidos de acordo com o que fizeram. Essa contenção se estabelece dentro de um tempo que se considera adequada para sua reabilitação.


O problema é que a humanidade ainda tem seus limites. Os pais não são perfeitos, e a justiça humana ainda está também longe de ser.

Mas a divina já é. Ela é perfeita, é justa.

Porque o justo é a exata medida. Se uma roupa lhe fica grande você diz que está larga. Se fica pequena você diz que está apertada. Se fica exatamente do seu tamanho você diz que ficou justa.

O justo é, portanto, o tamanho exato, a sua medida.

Então, a Justiça Universal dá a cada um a resposta exata das suas ações. Nem menor, nem maior, mas o justo para aquele indivíduo. Isso se chama ação e reação. Não é a lei de olho por olho e dente por dente. Cortou a mão, vai perdê-la também.

Como a Justiça Universal seria igual para todos se cada um é diferente? Cada um tem sua medida. E que medida é essa? A da capacidade, da consciência.

Tudo o que fazemos, fazemos dentro de nossas limitações. Só fazemos o melhor quando temos condições disso. Como então castigar alguém que só fez algo de acordo com sua capacidade? Ainda não tinha as condições pra fazer melhor, mesmo sendo um assassino ou ladrão. Ele via as coisas dentro de sua limitação.

– Ah, mas você diz isso porque nunca foi vítima. Quero ver o dia que vão matar alguém que você ama!” – alguém vai dizer.

Quer dizer que é em momentos que nossas emoções estão exaltadas, que nossa consciência está alterada que é o melhor momento de julgar?

Claro que não. Quando tomamos atitudes nessas horas só criamos mais complicações.

A justiça humana faz a sua parte, e a divina também. Ela não vai castigar, bater, vai procurar ensinar: A tudo e a todos. O objetivo não é a dor, é a evolução, o entendimento. A vida não é sádica, ela é sábia!

Então ela não manda uma situação pra fazer sofrer. Manda pra fazer aprender. E essa situação vai ser na linguagem que a pessoa aprende. Se a pessoa aprende pela inteligência e muda para seu progresso, melhor pra ela. Se às vezes custa a ver a situação por outro ângulo então á vida põem ela nesta posição pra ver como as coisas são. Se ela só aprende pela dor, vai ser como ela está escolhendo. A vida não quer punir, ela quer nos fazer aprender nos dando a exata medida de nossa capacidade de aprendizado.

Só que isso é muito individual, e só a vida conhece a melhor maneira de ensinar cada um.

Portanto, está na hora de pararmos de querer julgar a tudo e a todos. Pois, tudo que acontece no mundo faz parte de um processo muito maior. Como julgar vendo tudo pela metade?

Cada qual só passa pelo que atraiu, pelo que precisa para aprender. E não é melhor nem pior por isso.

Nós também passamos.

Então vamos parar com esse olhar crítico e sádico que só quer ver dor e castigo. Vamos olhar com compaixão.

Eu te desafio a olhar pra aquela pessoa que você considera ruim, e perceber que ela também tem medos, desafios, dores e limites. Que ela passou por coisas que você não sabe e nem imagina.

Eu quero ver a tua capacidade de ser bom e compreender que cada um só faz o que sabe de acordo com o que pode fazer.

Eu lhe convido a amar a cada um, percebendo que somos crianças aprendendo nesta escola da vida.

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Eu te peço pra olhar pra si mesmo, se perdoar, se entender e ter a compaixão de ver que você também é, em sua humanidade, composto de erros e acertos.

Ser bom é ter a compaixão de olhar a si e a todos sem condenar os seus atos.

Podemos ter a inteligência de ver o que é produtivo para nós e para os outros. Mas desejar o mal ao próximo só mostra a medida do mal que ainda cultivamos em nós.

Mais amor, meus queridos. Lembrem-se sempre que somos aprendizes nesse Universo, onde cada um caminha em sua própria estrada, fazendo e aprendendo aquilo que mais precisam para progredir!

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