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Às vezes, dar tempo ao tempo é o melhor remédio

Às vezes, dar tempo ao tempo
Às vezes dar tempo ao tempo

Uma das grandes artes da vida é saber deixar rolar. Nem sempre estamos preparados para dar respostas prontas, bater martelos, jogar pás de cal.

Quando as emoções entram nessa espécie de gangorra maluca, somos arremessados num mesmo dia para diversos estados de espírito e a decisão aparentemente perfeita da manhã pode ser um desastre à noite.

Uma das grandes artes da vida é saber deixar rolar. Nem sempre estamos preparados para dar respostas prontas, bater martelos, jogar pás de cal. O tempo e o cansaço natural das emoções vão colocando em seus devidos lugares as escolhas mais suaves. Comodismo? Inércia? Não. Muito pelo contrário. Em determinadas situações, a vida pede respostas imediatas, atitudes extremas, reflexos rápidos.

Às vezes, quando pensamos demais para decidir entre A e B, perdemos ambos. Em muitos casos, deixar rolar e não ter pressa pode levar a uma estagnação eterna.

Quem espera demais para mudar de emprego, fazer uma viagem, começar um curso pode passar a vida sem fazer nada. Por outro lado, a vida apresenta algumas situações muito complexas em que as nossas emoções ficam divididas. Queremos e não queremos ao mesmo tempo, ir e ficar, desistir e lutar, falar e calar, acreditar e esquecer.

Quando as emoções entram nessa espécie de gangorra maluca, somos arremessados num mesmo dia para diversos estados de espírito e a decisão aparentemente perfeita da manhã pode ser um desastre à noite.

Nesses momentos, não adianta forçar a barra, não adianta exigir de si mesmo algo que não temos para dar: a melhor resposta, a escolha que nos fará sofrer menos. Nesses momentos, é bom dar tempo ao tempo, ligar o piloto automático, sair por aí para contemplar a vida, sem grandes pretensões, sem esperar encontrar em uma esquina qualquer o veredito para o seu impasse.

Quando deixamos rolar, as respostas acabam por chegar de um jeito ou de outro. De forma mais orgânica, sem grandes traumas, deixando cicatrizes menos feias.

 

Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Amor: 123RF Imagens.

Silvia Marques
Viciada em café, chocolate, vinho barato, filmes bizarros e pessoas profundas. Escritora compulsiva, atriz por vício, professora com alma de estudante. O mundo é o meu palco e minha sala de aula , meu laboratório maluco. Degusto novos conhecimentos e degluto vinhos que me deixam insuportavelmente lúcida. Apaixonada por artes em geral, filosofia , psicanálise e tudo que faz a pele da alma se rasgar. Doutora em Comunicação e Semiótica e autora de 7 livros. Entre eles estão "Como fazer uma tese?" ( Editora Avercamp) , "O cinema da paixão: Cultura espanhola nas telas" e "Sociologia da Educação" ( Editora LTC) indicado ao prêmio Jabuti 2013.