Às vezes sentimos falta da vida que, por algum motivo, esquecemos de viver…

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Está circulando pela internet um livro interessantíssimo do poeta, músico e ilustrador Shel Silverstein “A falta que a falta faz”.



O livro viralizou, principalmente, por nos dar margens a várias interpretações e nos fazer refletir profundamente. Como toda mensagem que recebemos na vida passa através das nossas lentes e pelo filtro da nossa percepção da realidade, com esse livro não foi diferente.

Dentre todas as pessoas que me enviaram o vídeo e suas impressões, uma me chamou muito a atenção, pois escreveu: “Esses dias pensei também numa coisa: às vezes sinto saudade de sentir saudade…”.

Neste momento, peço licença para me afastar do livro mencionado supra para me ater somente na foto interpretativa que essa amiga bateu ao contextualizar a sua “falta”.


Engraçado como a maturidade ao mesmo tempo que nos faz enxergar as coisas de um lugar privilegiado, do chamado “Camarote da vida”, ela nos faz descer ladeiras sem perceber, somente embalados pela descida e quando nos damos conta, já estamos lá embaixo.

Essa descida embalada é perigosa, porque algumas vezes deixamos de vivenciar a beleza do caminho, pois acreditamos que já vimos de tudo e encaramos as coisas com muita naturalidade. Se não tomarmos cuidado, a vida se cercará de racionalidade e o resultado é que nos tornaremos difíceis de sermos surpreendidos, encantados e impressionados. Nesse momento, em vez de sentir por exemplo; saudade, vamos nos convencer que a distância era preciso, que a morte faz parte da vida, que aquele gostinho de água na boca por lembrar da comida preferida… deve ser substituído por algo saudável, aquela emoção que nos faz chorar ao assistir um filme deve ser coibida por sabermos que é meramente uma ficção e assim por diante. Nós racionalizamos os nossos sonhos, esfriamos as nossas almas e culpamos a maturidade!

Sentir saudade é sentir falta de alguma coisa ou de alguém e às vezes sentir essa falta nos torna mais vivos do que quando estamos completos.


Calma! Sei que é um assunto complexo, principalmente quando essa “falta” é de alguém que amamos, pois não conseguiríamos imaginar completude na ausência. Porém, ainda fiel ao recorte que dei a esse tema tão profundo e meândrico, vamos continuar analisando sob o prisma da “saudade de sentir saudade”, lembram?!

Quem me conhece sabe que defendo a saudade, pelo simples fato dela remexer tudo por dentro nos fazendo viajar sem precisar se mexer. Ela nos proporciona relembrar e reviver na memória algo que foi bom ou até mesmo maravilhoso nas nossas vidas.

E convenhamos: tem coisa que só no cantinho escondido da saudade podemos nos permitir sentir! Porém, quanto mais intensa ela for, significa que mais longe estamos daquela sensação boa que sentimos falta.

E isso é naturalmente um indicativo de que alguma coisa precisa ser repensada. E nesse sentido, sentir saudade de sentir saudade, uhm! É um sinal de que estamos descendo muitas ladeiras no embalo!

Portanto, precisamos frear as nossas almas para apreciarmos as lições diárias, mesmo que seja para passar pelo mesmo caminho todos os dias, pois com certeza, sempre terão flores novas. Uma árvore frutífera não repete os seus frutos, você sempre comerá um fruto novo, mesmo que da mesma espécie! É preciso, definitivamente, racionalizar menos e sentir mais, ficar bobos quando a vida exigir de nós um comportamento padronizado que nos afasta de nossos sonhos.

É preciso ler mais livros e nos transportar para as histórias, assistir a mais filmes e chorar com o final, sentar com amigos para falar besteiras, plantar na nossa essência sementes de vida, para que no amanhã continuemos a sentir o gostinho de sentir saudade!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: anyaberkut / 123RF Imagens

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* Matéria atualizada em 27/02/2018 às 5:40






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