Autoestima: a maioria das pessoas “se acha”, mas poucas “se sentem”



Desde que comecei a trabalhar com a autoestima passei a entender com mais compaixão o comportamento das pessoas.

Aliás, um dos motivos de procurar estudar sobre este tema, foi justamente o fato de que eu não me gostava. Foi um período, curto, mas o suficiente para perceber a escuridão a que isso nos leva.

Vivencia-se sentimento de inferioridade, incapacidade e de comparação constante com os outros, seja na imagem, sua forma de agir ou conquistas.

Parece que os outros são sempre melhores, sempre estão à nossa frente e com eles tudo sempre dá certo. Então, nós nos olhamos no espelho e não gostamos do que vemos. Precisaria fazer um ajuste aqui, um reparo ali, uma mudança que torne tudo mais harmonioso e padronizado.

Não damos conta de ir à academia todos os dias, não damos conta de estar com a aparência sempre impecável, às vezes não temos assunto com pessoas que julgamos serem melhores, mais cultas e distintas e nos sentimos péssimos em ambientes com estranhos. E bate aquela tristeza. “Por que não sou diferente?” “Por que não nasci em melhores condições? Por quê? Por quê? Por quê?” E nada nem ninguém nos dá uma resposta.

Houve uma época, inclusive, que eu gostaria de me despir do meu corpo, como se fosse possível sair de minha pele e encontrar um novo lar, com uma imagem mais aceitável de mim.

Hoje, olho para trás e vejo, que foi a época em que meu corpo estava em sua melhor forma. Não era em meu corpo que estava o problema, era na imagem que eu fazia de mim mesma.

São as cobranças, a visão errada de ser humano como reflexo de nossa alma. Se algo não vai bem internamente, dificilmente conseguiremos transparecer algo melhor.

E é a partir dessa visão de nós que nascem os transtornos. Transtorno de imagem, compulsão alimentar, bulimia, anorexia…e tantos outros.

Eu tive a sorte de conseguir perceber tudo isso e fugir antes, pois não havia cobranças externas, apenas internas. Mas muitas pessoas não têm essa sorte e se entregam aos distúrbios, afundando-se num mar de cobranças, angústias, excessos e faltas, enquanto o corpo cresce continuamente ou diminui assustadoramente.

Todos enfrentamos esses problemas, em algum momento da vida, em todos os lugares do mundo, todos os dias.



Mesmo quem tem excesso de autoestima sofre, pois quando cai em si e constata sua realidade, no fracasso em manter a imagem que tenta passar, inevitavelmente adoece.

Reconhecer-se, compreender quem você é e aceitar sua natureza, é o melhor método de cura para que tudo mais flua em sua vida.

A realidade é que temos dias bons e ruins e a felicidade está justamente no equilíbrio que você estabelece em suas ações e escolhas. Está em aceitar-se com suas falhas, reconhecer seus potenciais e vibrar com eles. Está em perdoar-se pelas faltas e ter fé em si mesmo.

Ter a autoestima bem estabelecida não é SE ACHAR bonito, importante ou especial.

É SENTIR-SE bem com você mesmo quando está a sós, é gostar da sua companhia, é rir dos seus deslizes e se perdoar, como se perdoa aqueles que amamos.

É SENTIR-SE parte do todo e saber que sua vida pode fazer a diferença em qualquer lugar, por você estar cheio de coisas boas para oferecer.

É SENTIR-SE responsável por suas emoções e não permitir que a maldade alheia afete seu estado de espírito.

Ter a autoestima estabelecida é SENTIR-SE amado, principalmente por você mesmo.

Ter autoestima é apenas sentir-se, uns dias mais e outros menos, e mesmo assim respeitar o processo, reconhecendo que está tudo bem.


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