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CARTA ABERTA PARA AQUELA QUE EU FUI…

Leia ouvindo: George Ezra – Barcelona



Nunca fui boa para despedidas, sou daquela turma que se apega mesmo, que lembra, que gruda, que chora e simplesmente sofre pela decisão de deixar, seja lá o que for.

Com o passar dos anos percebo que preciso cada vez menos de coisas. É uma sensação estranha de esvaziar mais de uma vez a mochila, e ao mesmo tempo uma sensação absurda de liberdade por simplesmente conseguir separar o que me faz bem e o que me pesa.

Desde a última decisão (aquela de viver um dia por vez, sabe?), a mudança parece ser mais rápida e as despedidas menos doloridas. Olhar para o ontem e perceber que o hoje é melhor, de fato, é uma dádiva. Sensação que conquistamos com o tempo, o real sabor da maturidade.


Não me arrependo do que fui, pelo contrário, agradeço por ter passado por cada caminho, pego atalho errado e até mesmo pelas as boas e velhas armadilhas encontradas. Nunca é fácil ser a gente mesmo. Ônus e bônus daquela rotina que só a gente sabe. Sabe inclusive, do quanto tivemos que sacrificar para conquistar.

Ah, antiga eu! Se você soubesse…

Me despeço de você todos os dias durante o banho. Amanhã, o hoje não será tão útil. Aliás, nunca é. Despedida é o ritual que a gente pratica todos os dias e não percebe, ou não quer perceber. Mentiroso é aquele que diz ser bom em despedidas. Fugas e despedidas são confundidas diariamente, meus caros.


Mas sabe o que eu mais gosto da minha antiga eu? Todos os dias que me despeço ela me abraça orgulhosa. Uma maneira de fazer um carinho na alma e dizer, “Continua, eu tô orgulhosa!”. E só o fato de saber que ela vai se orgulhar, me faz feliz.

Sabe, a gente precisa ser legal com a gente. Temos que nos orgulhar de toda a nossa história, e isso não tem a ver com o quanto de dinheiro ou conquistas você carrega no bolso. Tem a ver com o brilho que você leva na sua alma. A quantidade de despedidas que você fez é equivalente ao tamanho do seu brilho.

Despedidas são escolhas e nem sempre elas são tristes, viu? Pare de ver despedida como tristeza. Despedida é a porta fechada aqui e o portão aberto ali na frente. Entenda, você sempre terá que abrir mão de algo para se tornar aquilo que quer ser.

Sabiamente Deus criou as escolhas para que não fôssemos mimados. Criou a despedida para nos tornar melhores. Criou o hoje para aprendermos que o ontem é mais um dia para nos orgulharmos e que o amanhã é sempre melhor do que o agora.

Faça as pazes com suas despedidas e receba o agora de braços abertos. O seu amanhã será orgulhoso pelo seu hoje. O seu antigo eu será orgulhoso pelo seu agora, e ninguém mais além de vocês dois precisam saber disso.

Se abrace, ninguém no mundo vai te abraçar tão bem de volta.

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