Conheça os 8 graus da caridade – a caridade acumula tesouros incalculáveis!

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A caridade acumula tesouros incalculáveis!

Certo dia, um rapaz pobre que vendia mercadorias de porta em porta para pagar os seus estudos, havia trabalhado um dia inteiro sem vender nada e, em razão disso,  tinha apenas dez centavos no bolso.



Encontrava-se naquela situação em que o estômago assume o comando do cérebro, colocando a vaidade e a soberba em seu devido lugar, dando lugar a humildade que mantém o homem vivo para buscar os seus objetivos mais elevados e coloca todos os pensamentos mesquinhos em segundo plano.

Foi então que como única saída, resolveu pedir comida na próxima casa.

Porém, seus nervos traíram-lhe, quando uma encantadora e formosa jovem abriu a porta da casa e assim, em vez de comida, pediu apenas um copo d’água.


A jovem percebeu que o rapaz estava com uma aparência de faminto e assim resolveu dar-lhe um grande copo de leite, que ele recebeu com muita gratidão e bebeu, vagarosamente, saboreando cada gota que chegava ao seu faminto estômago, e depois de tudo beber, perguntou à moça:

– “Quanto lhe devo”?

– “Não me deves absolutamente nada”, respondeu ela, “minha mãe sempre nos ensinou a nunca aceitar pagamento por uma oferta caridosa”.

– “Pois, então, agradeço de todo coração à sua mãe, que lhe ensinou isso, e a você, pois como diz o ditado: a fruta nunca cai longe do pé”.


Quando o rapaz saiu daquela casa, não foi apenas fisicamente que se sentiu mais forte, mas também espiritualmente, pois teve sua fé em Deus e na bondade dos homens, renovada, pois antes disso, já estava decidido a se render e deixar de lutar pelos seus sonhos.

Anos depois, essa jovem ficou gravemente doente e foi internada em estado gravíssimo no hospital, sem esperanças, pois os médicos já haviam feito tudo que podiam e o estado de saúde da jovem piorava cada vez mais, deixando todos muito confusos, tendo como último recurso levá-la para um grande hospital, onde seria tratada por um especialista.

Chegando lá, chamaram o especialista Dr. Ricardo Fortes para cuidar da moça e disseram-lhe que ela vinha de um povoado do interior, chamado Cidade dos Milagres, e que estava em uma situação muito crítica, e como era um especialista na área, precisavam muito dos seus cuidados.

Ao ouvir o nome do povoado, uma estranha luz encheu os olhos do Dr. Ricardo, que imediatamente saiu em direção à paciente para examiná-la e determinou-se a fazer de tudo para salvar aquela jovem, dedicando-lhe especial atenção, que depois de dias de uma demorada luta pela vida da enferma, alcançou a vitória, reestabelecendo a saúde da jovem.

Quando ficou pronta para receber a alta, o Dr. Ricardo pediu para administração do hospital que lhe enviassem a fatura para que pudesse examinar todos os procedimentos que estavam sendo cobrados no tratamento da jovem.

Após conferir cada item, escreveu algo na conta e mandou entregar para a jovem no quarto em que ela estava internada.

Agradecida por estar viva e curada, a moça recebeu a conta e com muito medo foi abrindo-a pouco a pouco para ver o valor, pois sabia que o valor seria muito alto e que levaria muito tempo para conseguir pagar as despesas totais do tratamento.

Foi então que, ao tomar coragem e abrir a conta, um bilhete escrito na conta chamou-lhe a atenção:

“Totalmente pago há muitos anos com um copo de leite, quando eu lutava para poder pagar os meus estudos e me destes ânimo novo para continuar em frente.

Assinado: Dr. Ricardo Fortes. ”

Escute agora os “Oito graus da Caridade”, idealizados por Maimónides, filósofo israelita do século XII:

1. Na caridade existem oito graus. O primeiro, o mais baixo, é o que consiste em dar, porém, com má vontade. Esta é a dádiva da mão, nunca do coração;

2. O segundo é aquele em que se dá com prazer, não sendo a dádiva proporcional, entretanto, às necessidades daquele que sofre;

3. O terceiro, quando se dá de boa vontade e, proporcionalmente, às necessidades do pobre, quando se é solicitado para isso;

4. O quarto, quando se dá espontânea e proporcionalmente às necessidades do que sofre, entregando-lhe, porém, nas mãos e provocando por esse meio a dolorosa emoção da vergonha;

5. O quinto consiste em dar de forma tal que o humilde receba a esmola e conheça seu benfeitor, sem que este chegue a conhecê-lo. Essa foi a conduta de nossos antepassados, que pregavam moedas nas extremidades de suas capas, onde o pobre as “recolhia” sem ser visto;

6. O sexto, que é da mais alta significação moral, é aquele no qual se conhece a pessoa que recebe a esmola sem que esta conheça o doador. Esta foi a norma observada por aqueles que tinham o costume de levar seus donativos aos necessitados, tendo o cuidado de não se fazer conhecer;

7. O sétimo grau, ainda mais meritório, consiste em socorrer sem que o benfeitor seja conhecido do necessitado, sem que este o conheça, tal como ocorria durante a existência do Templo. Nesse lugar de devoção existia um lugar especial denominado esmoler. Em seu interior, as almas caritativas depositavam suas esmolas, indo os pobres recolhê-las com igual segredo;

8. Finalmente, o oitavo e mais meritório de todos, consiste em antecipar a caridade, evitando a pobreza, seja ajudando seu semelhante com uma boa concessão ou uma apreciável quantia, ou ensinando-lhe um ofício, de modo que possa ganhar a vida de maneira honesta, evitando a terrível necessidade de estender a mão à caridade pública. Este é o mais alto grau da escada de ouro da caridade.

Seja como for, do primeiro ao oitavo grau, o mais importante é praticar a caridade, se possível, passando de um grau ao superior. É obrigação Martinista a prática da benemerência, em qualquer grau.

A caridade acumula tesouros incalculáveis!

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Direitos autorais da imagem de capa: niserin / 123RF Imagens

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