Contatinho é passageiro. Reserve lugar para quem está disposto a ficar

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Contatinho não vai chorar contigo, se ficar doente, e vai correr para o hospital, quando você estiver mal e precisando de alguém ao seu lado. Ele vai deixar você lá.



“Quem estará ao teu lado nas trincheiras? E isto importa? Mais do que a própria guerra.”

Essa celebérrima frase de Ernest Hemingway (1899-1961), famoso escritor norte-americano, sintetiza desde o momento em que nascemos até nosso último suspiro.

Hemingway tinha obras populares, como “Por quem os sinos dobram” e “O velho e o mar”. Recebeu o Prêmio Pulitzer, com o livro “O velho e o mar”, em 1953, e o Nobel de Literatura, em 1954.


Mas o que guerra tem a ver com vida? Tudo e nada, ao mesmo tempo! Depende de quem vai estar ao seu lado. Pode ser numa tormenta ou num dia de sol esplendoroso. Na guerra, há um misto de  sorte e milagre, o ponto onde vida e guerra se cruzam. Sendo assim, nenhuma batalha pode ser vencida sozinho. Só se mantém vivo na linha de frente quem tiver retaguarda.

Guerra é para soldado, fechamento, aquela pessoa que velará por seu sono, quando você fechar os olhos para se recuperar.

Mas há quem prefira confiar no contatinho. Para você, que troca o certo pelo incerto, vai um papinho camarada para lhe dar uma acordada. Oi, tudo bem? Só para dizer “tô indo”. Aliás, fui! Mas antes vou lhe dar uma moral e lhe ensinar a agir como gente grande, não como adolescente, sem noção, que você é. É, eu sei, a culpa também foi minha. Dei doce demais para a criança, daí ela enjoou, né?

Pobre de você, desfilando ar de superioridade quando, na verdade, você exala infantilidade. Se liga só na letra que vou lhe mandar. O mundo está ruindo, não percebeu? Seu castelo de cartas está todo no chão, numa bagunça só, passou uma ventania, depois, um tornado e agora você está sem cartas para jogar este jogo sórdido e estúpido. Acaba de perder seus Ás, Valete e Rainha. Na burrada da trinca de três. Três vezes que você me deixou para escanteio.


Contatinho não corre para ajudar você quando mais precisa. Contatinho não abraça nem o ouve pacientemente você dizendo: “Estamos juntos nessa.” Contatinho não vai chorar contigo, se ficar doente, e vai correr para o hospital, quando você estiver mal e precisando de alguém ao seu lado. Ele vai deixar você lá. E não porque é ordem do governo, mas porque ele não está nem aí para você.

Porque contatinho é passageiro, ele não quer saber de você, da sua infância, traumas, risos, planos e anseios. Se você perder sua grana, nem a cama ele vai querer.

O contatinho finge bem, só fica se convém. É um disfarce de perfeição. É só prazer, mas não é jantar, dormir de conchinha, de madrugada. Não tem mensagem cuidadosa, só maliciosa. Tem peito malhado, mas ego mal trabalhado. Tem maquiagem, mas não tem ternura nem aquele rosto cansado de fadiga do trabalho árduo e planos alterados. Não tem constância, é instância.

Não tem conexão, tem prazer. E prazer todo contatinho quer. Mas participar da sua alegria, sua angústia, sua conquista e sua perda, aí só um fechamento.

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