Dança das cadeiras – depois dos 25 anos…

5min. de leitura

Lembro-me das festas de aniversários de oito anos dos meus amigos como se fosse ontem. As mães, tias, tios, avós, conhecidos pegavam as cadeiras da cozinha, da sala de jantar e estar, e colocavam todas em formato de roda no quintal.



Tocava sempre alguma música da Xuxa, era de praxe, se não tocasse algo dela em um aniversário, certamente não tinha sido uma festa. Era uma alegria gigantesca em sentar na cadeira e rir do coleguinha que tinha ficado de pé. Mas o mundo gira…

Os anos se passaram, e eu que estava sentada em uma cadeirinha confortável, rindo da cara do coleguinha que tinha ficado em pé e saído da roda, acabei em pé. Sim, igual uma muda de planta quando nasce.

A verdade, é que essa brincadeira te prepara para a vida. Se você bobear, você dança e não dança Xuxa não, mas na boquinha da garrafa com é o Tcham. Segura o tcham daqui, de lá, e vai deixando a loirinha e a morena passar, e você? Fica só observando de camarote!


Assim que você faz 25 anos as coisas mudam, as cobranças sobre casar e ter filhos pesam. A tia que ficou para a tia, já se sente aliviada em não ser mais o assunto das festas de fim de ano da família. É você! A brincadeira já não é mais da cadeira, mas da batata quente. A tia joga a batata para você e com sorrisinho diz “chupa essa manga”. Nem de manga você gosta!

Então você começa a pensar “é, pobrezinha da tia que eu fiquei tanto tempo zoando. Agora sou eu, em pé na dança das cadeiras”.

Mas quem liga?


A sociedade, a família e os amigos. Dizem que estamos ficando para trás, pois não nos casamos, não tivemos filho e se bobear ainda jogam na cara que não temos casa. Mamãe ainda lava a roupinha, passa, cozinha e faz cafuné na cabecinha. Que delícia!

De uns anos para cá, eu tenho percebido o quão grandemente às pessoas se incomodam com nossa vida amorosa. O quanto elas desejam que nos casemos e tenhamos filhos. Não sei se é pelo prazer em comer de graça no meu casamento e pegar meu filho três minutinhos no colo, tirar uma foto, publicar uma legenda legal nas redes sociais e fim.

Não sei, não entendo.

Solteirice não é sinônimo de ser infeliz ou feliz. Não tem nada a ver uma coisa com a outra.

Vocês podem fazer a roda e colocar quantas cadeiras quiser, pois só sentarei quando eu sentir vontade.

Não quero um amor meia boca, eu quero um litrão de amor a nível Skol Beats. Quando eu achar o amor da minha vida eu farei um comunicado especial. Do contrário, eu vou entrar na roda e sair quantas vezes eu achar necessário.

Se propor a viver em um relacionamento, a uma vida a dois, e a ter um filho não é simples. Você não pode tomar uma decisão assim como pega um ônibus. Em uma dessas, você pode se arrepender do caminho que escolheu. E não, não é esse tipo de erro que eu quero cometer na minha vida.

Não é casando e se separando que se vive. Se por acaso acontecer, porque pode acontecer, tudo bem. Mas eu planejei, pensei e segui meu coração.

Enquanto ele estiver aqui, trancado, envolto em um papel celofane, cheio de confete, batendo forte pela vida e amor ao próximo, permanecerei livre, em pé ou sentada na dança das cadeiras.

E se eu ficar para tia, pode ter certeza que serei uma ótima tia. Ficar sozinha não define caráter e nem define o tamanho do amor que você carrega no peito.

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.





Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.