Deserto: lugar de crescimento e aprendizagem…

Acredito que seja comum nos sentirmos abandonados por Deus quando vivemos uma grande tribulação. Lógico que esse sentimento não é comum a todos, pois aqueles que são bem maduros espiritualmente enxergam as adversidades de outra forma.

Há fases nas nossas vidas em que atravessamos desertos tão extensos que parecem não ter fim.

Desertos financeiros, emocionais, relacionais, na saúde, no casamento… dentre outros. Noites intermináveis de choro e insônia, dias de apatia e aperto na garganta. Por mais ensolarado que esteja dia, só enxergamos o tom cinzento, cor predominante em nossa alma. O nosso alimento predileto não tem sabor, aliás, tem sim, sabor de isopor. A nossa música predileta soa indiferente aos nossos ouvidos e esboçar um sorriso torna-se uma tarefa árdua, na realidade, não sorrimos, apenas expomos a nossa arcada dentária. Dobramos nossos joelhos na tentativa de uma oração, mas nenhuma palavra conseguimos balbuciar, então, as lágrimas falam por nós.

Não conseguimos orar, mas em pensamento, clamamos a Deus mais ou menos assim: ” Senhor, dói tanto, eu nem sei como te pedir ajuda… Senhor, está tão difícil, eu não estou dando conta… Senhor, até quando isso?”. Nos levantamos com a sensação de que Deus não nos ouviu.

O silêncio de Deus é tão perturbador. Em meio ao nosso deserto, não conseguimos perceber que o silêncio de Deus também é resposta. Em silêncio, Ele responde: “filho(a), espere, apenas confie, estou no controle de todas as coisas”!

E em silêncio, Deus está agindo. Ele coloca, em nossas vidas, alguém para orar por nós. Ele nos apresenta alguém para nos encaminhar para um médico super competente e humano. Só precisamos ter essa sensibilidade espiritual de não desistirmos, de não abandonarmos a fé. Acredito, que por vezes, as tribulações são estratégias de Deus para algum propósito que só compreenderemos tempos depois. Não raro, muitas pessoas abandonam a fé por estarem em tempos de bonança. Como se pensassem: se está tudo bem, por que vou orar”? E se distanciam de Deus, e se sentem autossuficientes. Então, as tribulações chegam para que não  se esqueçam de que em todo o tempo devem estar seguros na mão do Altíssimo. Os fases de bonança são para nos abençoar e não para nos afastarmos Dele.

O deserto é um lugar de tratamento espiritual, nele não teremos fartura, porém, teremos o suficiente para nos manter. O melhor do deserto é que Ele nos faz dependentes de Deus.

No deserto, somos reduzidos a nada, já que fora dele tendemos a nos sentir superiores. Nesse lugar tão árido, a humildade nos visita.

E a permanência nele será definida por Deus, que nos conhece perfeitamente e saberá o momento oportuno de nos levar aos pastos verdejantes.

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Direitos autorais da imagem de capa: kamchatka / 123RF Imagens




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