Deus está em tudo, o Seu agir em nossas vidas é constante

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“Deus mora na rotina positiva.” (Pe. Fábio de Melo)



A comunhão com Deus não é aquela em que, ao acordar, se pedem bênçãos e, ao dormir, se redime dos pecados. É a todo instante e, quanto mais compreendemos isso, mais veremos o agir d’Ele em nós.

No testamento cristão, Lúcifer é expulso do paraíso devido à sua vaidade, o pecado conhecido pela ausência de atenção ao Criador. A vaidade ocasiona, inconscientemente, o serviço a Deus não por amá-lo, mas pelas recompensas desse amor.

Reflita, o Deus a quem adora tem sido útil apenas para atender aos seus desejos e apaziguar os seus medos?


Na história de Aladim, temos um personagem que encontra uma lâmpada mágica e, como benefício, pode fazer três pedidos que serão atendidos pelo Gênio aprisionado no objeto. Em vez de fazer três pedidos para si, Aladim escolhe fazer apenas dois e o terceiro pede para que liberte o Gênio da lâmpada, tornando-o livre.

Da mesma forma que o Gênio fora limitado ao objeto, também limitamos Deus às nossas crenças, como se fôssemos encontrá-Lo apenas nas igrejas, nos testamentos e em pedidos de socorro.

Quando abrimos mão dessas limitações e O libertamos, passamos a vê-Lo em todos os lugares, por trás de todas as coisas, sejam boas ou ruins, simples ou complexas. Deus quer que você Lhe permita estar em tudo, inclusive na sua rotina.


Estamos vivendo uma era de caos social, em que muitos se perderam em sua identidade. Nossa vida um dia resumida por nossos papéis sociais se esvai e sobra o quê? Automatizados por uma rotina cheia afazeres, aprisionados mentalmente por tantos compromissos e obrigações regidas por status e sucesso, hoje nos vemos fadados a olhar para os detalhes, e é ali onde mora o relacionamento ininterrupto com Deus.

Para sobreviver à dureza do mundo, é preciso polvilhar a alma com beleza e sensibilidade. É preciso cercar-se de pessoas que lhe façam bem. Ouvir boa música, ler bons livros, enfraquecer os estímulos à superficialidade, fazer as pazes com o silêncio e a quietude. Deus mora na rotina positiva. É através dela que Ele nos cura e nos protege. Quem não fizer esse favor, lamentavelmente será alma morta num corpo vivo.

(Pe. Fábio de Melo)

Para Carl G. Jung, fundador da psicologia analítica, Deus está em todas as manifestações, e se recebemos o fôlego, temos de dar sentido à vida oferecida como forma de gratificar o Sagrado. Não fomos criados para sermos miseráveis e pedintes, mas para sermos manifestações d’Ele em nós. Como seres, precisamos de vida simbólica, e ela começa pelas pequenas coisas, por detalhes inebriados a olho nu.

A beleza cotidiana está na maneira como nos comportamos, no respeito pelos objetos que nos cercam, pelo nos levantar e organizar nosso dia, estando presente, de corpo e alma, em todos os nossos atos.

Deslumbre traz paz, paz traz compreensão e compressão traz vivificação! Vivifique começando a apreciar o céu, o cantar dos pássaros, o ruído do vento. Isso é viver e dar sentido à vida que nos foi dada. Isso reforça em nós as nossas identidades. Sem compreensão simbólica, somos máquinas e animais racionalizados de propósito vazio.

“[…] não é de admirar que as pessoas fiquem neuróticas. A vida é racional demais, não há existência simbólica em que sou outra coisa, em que desempenho um papel, o meu papel, como um ator no drama divino da vida. […] E pelo fato de as pessoas não terem isso, não conseguem sair dessa roda viva, dessa vida assustadora, maçante e banal, onde são “nada mais do que são.” (Carl G. Jung)

Assim como tratamos “grandes acontecimentos” com cuidado e atenção plena, devemos tratar da mesma forma o simples respirar. Como se cada dia fosse uma aula e se nada tivesse aprendido ao final, teríamos uma aula perdida. Fazemos as coisas como simples obrigações, mas há um Deus acenando e nos pedindo atenção a Ele e a tudo o que n’Ele há.

A comunhão com Deus não é aquela em que, ao acordar, se pedem bênçãos e, ao dormir, se redime dos pecados. A comunhão é a todo instante e, quanto mais compreendemos isso, mais veremos o agir d’Ele em nós.

Compreenderemos que Ele é o azul do céu, mas também é o cinza do nevoeiro. Ele é a ascensão, mas também o tropeço. Tudo fica claro quando entendemos que Deus não está dentro da lâmpada mágica, ou melhor, no céu, observando-nos de longe, ou na igreja, esperando nossa visita.

Deus está aqui, ali e aí. E O adoramos não apenas clamando o Seu nome, mas fazendo jus à vida e a todos os detalhes que nela há, independentemente da situação.

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