É melhor sofrer por uma emoção vivida do que não viver uma grande emoção!

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Existe conflito mais polêmico e antigo do que definir e sentir o amor e a paixão?

Até hoje estudiosos no assunto tentam desvendar através da bioquímica, filosofia e psicanálise estes sentimentos que arrebatam qualquer ser humano. Segundo esses grandes pesquisadores a paixão e o amor são dois sentimentos bem diferentes. Para eles a paixão é um afeto dominador, cego, louco e intenso que não passa de 18 a 30 meses. Já o amor é um sentimento terno ou ardente, de bastante zelo pelo outro e com passagem duradoura. Percebem o quanto eles diferenciam o amor da paixão pelo tempo? Será que estes dois sentimentos são tão diferentes assim? Pois afirmo que NÃO meus amigos! Amor e paixão se complementam! É um sentimento só! Por que não chamarmos de “amor-paixão”?



Quando a gente se apaixona, estamos amando e quando a gente ama, estamos completamente apaixonados! O amor não sobrevive sem paixão! Já dizia Clarice Lispector com suas sábias palavras: “O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão mais inerente quanto à própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça – que se chama paixão.”

O sofrimento também é o mesmo quando o “amor-paixão” não é correspondido, independente do tempo de relacionamento. Expressou-se lindamente Luiz de Camões com sua poesia lírica: “Amor é fogo que arde sem se ver/é ferida que dói e não se sente/é um contentamento descontente/ é dor que desatina sem doer”. Renato Russo também declarou em um de seus versos sobre a aflição que fica após o transcurso de um “amor-paixão”: “A paixão já passou em minha vida. Foi até bom, mas ao final deu tudo errado. E agora carrego em mim uma dor triste, um coração cicatrizado.”
Enfim, o amor ou paixão ao chegar em nossos corações ou sair deles causam o mesmo efeito: loucura, desejo, obsessão, vício, sensação de “borboletas no estômago”, apego profundo, ansiedade, devoção, agonia. Existe maior comprovação do que essa? De que não há disparidades no SENTIR do amor e da paixão?

Portanto, vejam o “amor-paixão” como uma emoção intensa que deve ser sentida e vivida.

Certa vez, possuída pelo meu espírito reflexivo, perguntei-me: com que objetivo criaram esta palavra paixão? Será que foi para eternizar o amor e vivermos numa busca incessante por tal afeto? Ou mesmo para vivermos numa ilusão de que o amor é mais intenso, grandioso e com duração indefinida em relação à paixão? Ou ainda para temermos ao magnificente e doloroso amor?


Na verdade, amigos, para quê tantas definições separadas desses sentimentos comparando-os com o tempo de seus momentos? Se na verdade não vivemos o tempo do amor, da paixão ou do “amor-paixão” e sim… Vivemos o tempo das nossas emoções!

Agora tomarei minha dose de ousadia para contrariar os cientistas com suas explicações precisas sobre o amor e a paixão. Se eu perguntasse a vocês amigos: o que sentem pelos seus parceiros neste exato momento, amor ou paixão?

Com certeza nem pensariam muito para me responder, não é? Então, o que diríamos de um casal que passaram pouquíssimo tempo juntos e por algum motivo não conseguiram concretizar uma união mais duradoura? No entanto, eternizaram em seus corações e almas tudo o que sentiram. Isto foi amor ou paixão? E quando um casal com uma história linda e longa com muitos anos vividos juntos, de repente se vê surpreso com o fim? Fim do amor ou da paixão?


Não sabemos ao certo, porque esses sentimentos são inexplicáveis e sem definições exatas. O que sabemos mesmo é que eles invadem nossos corações sem nos avisar, nos permitindo apenas sentir. Aproveitando, assim, o tempo de sua morada dentro de nós, acolhendo-os como se fôssemos seu melhor anfitrião. E se um dia eles quiserem ir embora, não usaremos a força, pois saberemos que já é a hora certa de sua partida. Deixando agora nossos corações livres para uma nova paixão ou para um novo amor? Não! Livres para uma nova emoção!

Longe de mim, como romântica incurável, dizer aqui que o “amor-paixão” é uma grande ilusão. Este lindo sentimento ainda existe, porém existe para sentir sem medo e não para ser explicado. Pois é incompreensível! Portanto, vejam o “amor-paixão” como uma emoção intensa que deve ser sentida e vivida. Esqueçam as várias interpretações feitas sobre tais sentimentos, as histórias tristes que passaram por um grande “amor-paixão”, pois nenhuma emoção é igual à outra! Mas, mesmo assim, não deixa de ser emoção!

Aproveitem, então, essas emoções que chegam a suas vidas sem acharem que pode ser uma ameaça para seus corações! Aprendam que as emoções podem ir embora um dia ou ficar para sempre, por isso não devem temê-las e sim vivê-las!

Querem um último conselho? É melhor sofrer por uma emoção vivida do que não viver uma grande emoção!

E assim, terão em suas lembranças a emoção mais incrível e feliz de suas vidas. Independente do tempo que durou.Independente da dor do fim!

“Num momento, vive-se uma vida.” (Do filme Perfume de mulher)

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