E por fim, tudo é tão incerto neste mundo passageiro…

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Entendi como é um desmoronamento. Aquele segundo em que uma sequência de fatos trágicos acontece partindo de um pequeno momento em que tudo começa a desmoronar.

Então, tudo se desfaz. Você fica ali assistindo, impotente, incrédulo de que tudo o que você construiu até aquele momento tenha-se desfeito tão rapidamente, tão repentinamente. Tudo aquilo que você achou que duraria para sempre. Tudo aquilo que você projetou naquele futuro que dava como certo. E, por fim, tudo é tão incerto neste mundo passageiro…



Talvez dê para reconstruir tudo. Não da mesma forma, com a mesma estrutura, mas talvez seja possível reconstruir. No exato instante em que você assiste tudo se perdendo, nasce no peito o desejo de reerguer cada tijolo. Você não sabe como, mas quer reconstruir. Imediatamente.

Ainda restaram muitos fragmentos de tudo o que existia até segundos atrás. Ficaram partes enormes de tudo. 

Cessa o desmoronamento. Vem a calmaria. O momento em que você observa o cenário de desolação. E seu peito dói tanto, mas tanto, que a sensação é de que você não vai resistir. Você precisa de coragem. Precisa tomar uma decisão. Ficar ali e reconstruir tudo? Partir e tentar recomeçar em outro lugar?

Mas foi ali que você criou seus sonhos, planejou seu futuro e criou memórias do seu passado. O presente é só um pesadelo. É? Até segundos atrás você nunca pensou que precisaria fazer uma escolha entre ir ou ficar.


“Em frente ou enfrente. Você me entende?” Não tem como adiar. Totalmente desabrigado, a decisão precisa ser imediata, ainda que seu coração esteja despedaçado, ainda que você tenha imaginado que nada daquilo ruiria um dia.

Por que, você se pergunta. Por que aconteceu isso comigo? Foi negligência? Você não construiu os alicerces corretamente? Não observou os sinais que vieram com o tempo, mostrando que isso não tardaria a acontecer? Ou foi mera fatalidade? Apenas aconteceu? E esses por quês calam fundo no peito pesado e magoado pela decepção profunda de ter visto tudo se perder.

Ah, se fosse só um sonho! Se pudesse voltar no segundo antes de tudo acontecer e acordar naquele exato momento, impedindo que o sonho acontecesse, que tudo desmoronasse, que tudo se perdesse. Mas não dá. E a partir desse ponto é ir em frente e enfrentar. Decidir se fica e reconstrói, ou se vai construir um novo abrigo para o coração.

São dessas escolhas que a gente nunca quer fazer na vida. Que não estão engatilhadas para uma eventual necessidade. Porque existem coisas que em nossa zona de conforto, simplesmente achamos que nunca acontecerá conosco. Até o dia em que acontece…


Porque nada é permanente nesse mundo passageiro. Nem mesmo a nossa felicidade.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: dmitrigromov / 123RF Imagens

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