É proibido entristecer!

4min. de leitura

Eles estavam brigados, sabe? Aquelas discussões meio sem pé nem cabeça em que a gente se enfia e que só servem mesmo para acinzentar o fim de semana. 

Caramba, combinaram essa viagem com a turma há meses.



Ele? Foi para a piscina e, tomando uma caipirinha, retratou aquele cenário paradisíaco.

Ela, junto com as amigas, resolve uma bebedeirazinha para esquecer. Foto linda, aquela.

Todas sorrindo no janelão da casa de Angra com o mar ao fundo. 230 curtidas.


Atrasada, Ana saiu correndo de casa e deixou o pen drive com a apresentação do projeto.

Angústia, dor de cabeça e alguns malabarismos com o chefe, perdeu a reunião.

Mas almoçou naquele árabe que adora. E postou no facebook.


Assunto batido dizer que em tempos de rede social ninguém mais é triste? Acho que não.

Dia desses encontrei uma conhecida e, entre aquele “como vai e como é que você está”, acabamos trocando algumas confidências.

Ela disse: Puxa, não imaginava que estivesse passando por essas questões.

Normal, penso. A nossa velha mania de achar que a grama do vizinho…

Ando com um certa saudadezinha da liberdade do choro e da tristeza, sabe?

Quem aqui nunca chorou ouvindo aquela música, que lembra aquela pessoa, e bate aquela saudade?

Ou já sentiu sozinho em meio à multidão?

Aquele vazio que a gente nem consegue explicar e que só dá vontade de ficar num cantinho?

Ou acordou azedo mesmo!

Aquele trem ruim que vai subindo, o nariz abre de graça, a sobrancelha levanta e uma vontade enorme de dizer “bom dia, porquê”?

Vida real. Não de rede social. Não há mal algum em sentir-se triste, estranho, vazio, de vez em quando.

A vida é feita de tantos acontecimentos e absurdo seria imaginar que todos são felizes o tempo todo.

Temos a sofrida mania de achar que o trabalho do outro é mais valorizado, a esposa do outro é mais compreensiva, os filhos da outra são mais educados.

Balela. Como já disse alguém, “De perto, ninguém é normal”. E pode haver sim, alguma beleza no caos, ao menos para mim.

Permitir-se chorar quietinho, quando aquele projeto que levou toda a sua dedicação, não foi aprovado, pode acalmar o coração.   A sensação de quem se deu totalmente, já é ao menos, consoladora. Ou libertadora.

Quem aqui nunca discutiu com o par e questionou tudo?

Da escolha pela vida a dois, passando pela vocação profissional e duvidando até do time do coração?

Aff, caos interno. Quem nunca?

Mas, bom mesmo é encher a cara de chocolate quente, vestir aquele pijama do Mickey, e assistir à qualquer filme do Hugh Grant.  Remédio poderoso para um fim de relacionamento.

Uma vez lavada a alma, o dia seguinte é sempre um recomeço. Eu já fiz isso!

Só não postei no facebook. Ô pijaminha feio!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: lkoimages / 123RF Imagens

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* Matéria atualizada em 06/03/2018 às 5:55






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