Ela não foi feita da costela de ninguém…

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Nem da Eva, nem de Adão. Ela é paixão.



Ela não foi feita da costela de ninguém, nada disso. Lara foi inspirada em um molde projetado por Manet, da Vinci, Michelangelo, Picasso, Salvador Dalí, Van Gogh e Caravaggio em um encontro secreto em algum canto bonito do mundo. O maior projeto da vida desses pintores foi entregue a mim em uma caixinha de veludo e com fita vermelha. No bilhete estava escrito: “o maior de todos os tesouros”.

Lara é uma espécie por si só, criada livre e sem adereços. É lisa e limpa feito a chuva de verão, que cai incessante até que o clima úmido se vá por completo. Tal e qual Lara quando emudece (e umedece) em mim. Não sei bem o que acontece quando a gente se pertence, mas é como se a cada olhar uma nova chance de vida nos fosse dada. E basta um toque para que ela desenrole o nó do cachecol que a protege do frio e abra notório espaço para que eu retire todo o resto.

ELA NÃO FOI FEITA DA COSTELA DE NINGUÉM - FOTO DE CAPA E FOTO DE DENTRO


E eu tiro sem receio de congelar naquele mar infinito de prazer. No toque, o arrepio é proporcional à explosão dos sentidos. Nossas bocas trocam farpas de desejo sôfrego. Os corpos paralisados aos toques e sensações gritam silenciosos para que o mundo pare de rodar, pois nosso giro é contrário ao vento. Somos álibis do tempo sem qualquer suspeita ou contravenção. Somos o acerto do não.

Liga o som, menina. Dança, dança, dança para mim como quem encontra sua alma gêmea, leve e serena a flutuar. Lara dança e desfaz a trança. E me lança (contra a parede). Anestesia geral para a cirurgia da alma. Ah, essa mulher me rouba de cena, encena, plena em absoluta tentação. Fujo de mim feito trem desgovernado, que corre pelos trilhos da vida até amanhecer esfolado dentro de um vagão.

Completamente apaixonado.


Esfolado no chão e esfoliado de paixão! Minhas escamas estão por toda a cama quando ela me ama. Junta meus restos, pedaço a pedaço para me ter inteiro de novo. Pouco paro em pé quando Lara me usa. E me abusa. E me rouba. E nem sequer tem a consideração de me devolver a mim.

Ora, devolve não, amor. Me leve contigo, grudado na pele que cola na minha. Sem Bonder, amor. Teu suor nos cola. Vai, me coloca naquele teu pote sagrado, bem abençoado, enfeitiçado, guardado, nada amargurado.

Você bem sabe que eu canto teu movimento quando a gente faz daquele jeito. Gravar a cena? Só se for com a retina azul desse olho que fura o meu com um tiro de quem sente fome. Menino de rua eu sou, me adota, me importa, me preestabelece teu. Assim sou eu.

É que meu sangue para de circular toda vez que você bate a porta e só fica quente quando você encosta. E cola. E rebola. E me (…) mória. E, então, eu fervo inteiro com o pretexto certeiro de te fazer molhar. Me molha, amor. E não estranhe se em algum momento não encontrar meu corpo. Você não sabe, mas sempre que junta a tua pele com a minha, eu nem mais ali estou.

É que quando me toca eu chego ao céu num voo ligeiro. Ei, você me faz voar, garota! Eu vou, mas volto logo com o que sobrar só para você juntar os pedaços misturados, cansados, esgotados e suados de tanto te amar. É assim que você fez. É assim que você faz.

E, então, te amo de novo (e de novo) como se fosse a primeira vez.

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