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Eu não quero resolver as minhas dúvidas…

Se existe algo nessa vida que eu falo com certeza é sobre todas as minhas dúvidas.



Apesar de ser contraditório dizer que há certeza sobre as dúvidas, acredite, é a melhor coisa que podemos nos permitir.

Porque se há dúvidas, ainda há escolhas.

Comigo foi assim, num dia destes corridos da semana, tão corrido que não me lembro o dia exato, mas daqueles que a gente precisa de um café. Quem nunca? Entrei na cafeteria e me assustei. Não era apenas dúvida. Eu não sabia ao menos escolher o meu café. Não sabia do que gostava. E no mesmo momento que não soube se era cappuccino ou frappé lotado de chantilly, descobri que não sabia se era tristeza ou só melancolia.

Não sei. Absolutamente não faço ideia. Ao menos o que sinto, não sei identificar. E fico na dúvida se eu não me conheço ou se desaprendi a me entender.

Mas que culpa eu tenho, se o mundo mudou tanto e hoje pode-se escolher entre ir para Paris ou o interior de Goiás, e não se preocupar porque a companhia aérea faz a troca da passagem caso mude de ideia.


Deve ser por isso que os relacionamentos atuais são uma espécie de rodízios semanais. Na dúvida, a gente troca. Mas não significa substituir, e infelizmente ainda nem todos sabem disso.

O mundo que nos acostumou, e com o tempo, nos tornamos pessoas com opções demais ao dispor.


Mas que culpa o mundo tem de estar evoluindo, enquanto nós, adoecendo a cada decisão errada, e acreditando piamente que quem tem dúvidas não sabe o que quer da vida.

Nós que deveríamos ser mais empáticos uns com os outros. E não se espantar e pressionar respostas quando alguém responde que não sabe onde quer morar, quantos filhos quer ter, que faculdade cursar ou qual o nome dar ao cachorro.

Porque enquanto existe dúvida, seja num relacionamento tóxico, numa viagem frustrada ou em um café qualquer, a gente mesmo na dúvida continua vivo. Desperto e pensando no que é melhor. Mas quando se aceita qualquer opção, só para se livrar da dúvida, aí está o maior perigo: viver tudo aquilo que não se merece.


O amor próprio sempre será recíproco!

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