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Eu nunca compreendi tanto minha mãe como quando me tornei mãe

Jozef Polc 123

A partir daí, cada pecinha da minha vida começou a encontrar – e continua encontrando – o seu lugar, como em um imenso quebra-cabeça.



Dia após dia amo mais minha mãe, minhas origens e quem sou. Isso porque, quanto mais nos abrimos às aprendizagens da vida e sobre nós mesmos, mais crescemos e mais fácil se torna saber qual é o nosso lugar neste mundo.

Houve um momento em que eu me distanciei de minha mãe e a culpei por ela não me dar tudo, por não ser tudo. E, ao longo da vida, eu aprendi que, ao não me dar tudo e ao não ser tudo, ela abriu a possibilidade de eu desejar por mim, de eu criar por mim, de eu desenvolver o próprio potencial.

Ao se tornar mãe, torna-se necessário aprender a desapegar, a aceitar, a lutar e a executar da forma mais rápida possível.


E, com as aprendizagens que ganhamos com essa nova função, com esse novo papel, também precisamos pagar um preço: perder ou deixar ir partes de nós (algumas apenas por um tempo) e receber novas partes, novos entendimentos, como o de passar de rir a chorar em poucos instantes e, às vezes, pelo mesmo motivo.

Mas o fato é que me tornar mãe não me deu apenas um papel novo, incrível, difícil e cheio de desafios e surpresas. Tornar-me mãe trouxe mais propósito à minha existência.

Esse propósito imenso e com momentos de plenitude também traz uma cobrança imensa e um sentimento de culpa que merece atenção e merece ser elaborado.

Tempos atrás, ao atender uma mãe no consultório, ela me disse: “Eu vivo com a sensação de que estou sempre devendo algo para meu filho, seja emocionalmente, seja na área da educação, no tempo que deveria dar para ele, na forma de falar… Eu não consigo ser perfeita”.


Imaginem quanta cobrança pessoal e quanta dor existem por trás dessa fala.

Entretanto, é necessário sabermos que não somos perfeitos. Ninguém o é. E o fato é que não precisamos sê-lo!

Nós precisamos ser boas! Como bem explica Winnicott, ao escrever sobre desenvolvimento psicológico: uma mãe precisa ser suficientemente boa.

Essa deve ser a busca pois, para além disso, vem o sufocamento de possibilidades, de potencialidades e desenvolvimento de uma criança. E, para aquém disso, vem o abandono.


Logo, não ser uma mãe perfeita é o melhor que você pode fazer para seu filho viver e se desenvolver.

Claro que a busca por sermos melhores é essencial. Trocar, compartilhar, ouvir e se desenvolver nunca é tão necessário como quando nos tornamos mães.

Ser mãe é crescimento, e não podemos deixar de lado a nossa necessidade de atenção, de sermos melhores por nós mesmas, pelos outros e com os outros.

Mas também é preciso lembrar que crescer não é um processo estático e pacífico. Crescer é movimento. Crescer é sair da acomodação. Crescer é a ordem da vida. É assim para nós, como mães (em todos os estágios da maternidade), e é assim para nossos filhos.


Por isso, a melhor arte a criar e a ensinar é a arte de aprender a viver bem e feliz. Nada traz mais qualidade de vida do que mostrar isso com nossos exemplos.

Com carinho, eu desejo que este texto faça sentido para você e contribua em sua caminhada.

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