Falar cura! – fale, sua alma agradece. O que fica trancado, adoece!

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Fale do que te entristece, fale do que o aborrece. Fale dos seus projetos, dos seus planos. Fale das suas alegrias, da sua coragem, dos seus temores. Fale com quem o ama, com quem o compreende. Pode ser um amor, pode ser um amigo, mas fale, sua alma agradece! O que fica trancado, adoece! – Lucianne Moreira



Por volta de 1881, Anna O ( pseudônimo de uma das mais famosas pacientes do psiquiatra Freud) nomeou a técnica de falar sob hipnose de limpeza da chaminé ou cura pela fala. Esses são os conceitos fundamentais e fundantes da psicanálise. Portanto, é cientificamente comprovado que falar cura.

Escolha bem com quem você vai falar. A escuta acolhedora e atenta é importante. Ao falar você organiza seus pensamentos, alivia seu coração, sua alma.

A pessoa que está te ouvindo (pra que seja mesmo uma cura) precisa ter o conhecimento (ou a sensibilidade) de fazer comentários sinceros e construtivos no momento certo. Isso seria o ideal. Por isso a importância da terapia.  Mas se você não pode fazer, escolha alguém em quem confie. E fale!

Não tenha medo de “limpar a chaminé”. Mesmo que você saia um pouco “sujo de carvão”. Pois ao falar a gente chora mesmo. Às vezes, vem a sensação de estar piorando. Super normal.

Sempre que vamos fazer uma faxina, primeiro temos que tirar tudo do lugar. Bagunçamos tudo e depois voltamos a organizar.


Antigamente o preconceito era muito grande. Acho que ainda existe, infelizmente. Muitas pessoas acreditam que fazer terapia é para quem tem “problema”. Agora eu te pergunto: “quem não tem problema?”.

Para responder a esse preconceito existe uma frase muito inteligente: “Terapia não é para quem tem problema, é para quem quer resolver o problema”.

Eu não sou psicóloga, fui coach por um período. Amo ler e aprender sobre processos terapêuticos e já fui paciente em diversas linhas. Não sei se você sabe que eu lutei contra síndrome do pânico por mais de 15 anos. Demorou tanto assim, pois o diagnóstico naquela época era muito difícil.


Graças a Deus, que colocou as pessoas certas no meu caminho, hoje sou uma pessoa que ainda tem ansiedade, sim, mas no nível mais baixo. Acho que igual a todo mundo. Não tenho mais aqueles ataques terríveis que me impediam de realizar as coisas que eu gostava e que me deixavam arrasada. Passou! Falar nas sessões de terapia me ajudou demais.

Existe uma diferença em desabafar com amigos e com profissionais.  Amigos ou amores na maioria das vezes ouvem cuidadosamente e nos acolhem, fazendo-nos sentir amados e queridos. Isso é muito, muito bom! Feliz de quem tem pessoas assim.

Entretanto, pode acontecer que algumas vezes, por medo de nos magoar, sempre concordam com tudo o que dizemos. Mesmo quando precisamos que nos alertem quanto a algum tipo de comportamento que adotamos e que está nos prejudicando.

Quer um exemplo? Normalmente temos a tendência em procurar culpados para todas as situações ruins que nos acontecem. (Lógico que em algumas vai ter alguém que nos prejudicou mesmo). Nosso(a) chefe, nossos pais, nossos companheiros, nossos filhos. Pessoas que estão muito perto da gente acabam “pagando o pato” por nos sentirmos injustiçados, incompreendidos, abandonados.

As mães, então! Nem se fala. Um psicanalista me disse uma frase que nunca esqueci: “Se existir uma mãe que nunca errou, essa, com certeza, sairá nas manchetes de todo mundo”. Sua resposta quando eu sentia que minhas filhas me culpavam por algo ou quando eu, com muita culpa, reclamava da minha mãe.

Pois é… mas nos esquecemos que fazemos escolhas. Poderíamos ter dito NÃO a várias dessas situações. Assumir a responsabilidade sobre o que nos acontece é um processo que requer amadurecimento. Amigos, normalmente, têm a tendência a concordar conosco. Por isso alguém “neutro”, que nos ajude a diferenciar uma da situação da outra, que nos leve ao autoconhecimento, é super importante. Assim conseguimos sair do papel de vítima (que a maioria de nós interpreta ou já interpretou) para o papel de responsáveis por nós mesmos.

Saber enxergar a nossa sombra (nossos defeitos) requer muita humildade. Não é fácil, não.

O importante é que sempre podemos melhorar! Estamos aqui para aprender e evoluir como seres humanos. Devemos aproveitar cada oportunidade.

Quanto aos nossos planos e nossas alegrias, acredito que devam ser compartilhados com aqueles que nos amam de verdade. Que ficarão alegres com nossa felicidade. Que nos darão forças e boas energias para seguir em frente.

Pela vida afora vamos identificando essas pessoas. Algumas chegam e ficam. Outras vão logo embora, mas deixam marcas profundas e lindas em nossa alma. Amigos que sabem nos ouvir.

Seja você também um bom ouvinte.

Se a gente precisa, nossos amigos também. E caso você perceba que não está conseguindo escutar com objetividade e que seu amigo está com sérios problemas, ajude-o a buscar ajuda especializada.

É um ato de amor que poderá modificar para sempre a vida de quem você ama.

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Direitos autorais da imagem de capa: bialasiewicz / 123RF Imagens

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