Fofoca no ambiente de trabalho: não jogue fermento para levedar a massa



Fofoca é um fato inevitável nos mais diversos grupos sociais. Basta haver um ajuntamento de gente em momentos de descontração (ou em momentos tensos) que a divulgação das informações alheias toma força e a vítima alvo dos comentários maliciosos tem sua moral e competência destroçadas em momento recorde, sem ao menos ter a chance de se defender dos ataques maledicentes, até porque o negativo tem um forte impacto no nosso cérebro.

Apesar de ter o seu registro recente datado de 1975 nos dicionários brasileiros, a palavra fofoca é de origem africana e significa revolver, remexer.

E é isso mesmo que o fofoqueiro faz: investiga, fuça, remexe, até encontrar algo de teor negativo, geralmente evitado por aquela pessoa que sofre a fofoca, por ser desagradável de trazer à tona.

Qual a motivação para tão torpe atitude? Inveja, competitividade, baixa autoestima, necessidade de se proteger contra uma possível acusação, desqualificar o outro para ressaltar o meu melhor. Se não bastasse a privacidade violada, a fofoca vem com um plus a mais: quando chega aos nossos ouvidos, a “notícia” está distorcida, tal qual a brincadeira do telefone sem fio: de alho, a palavra vira bugalho e se torna verdade absoluta, principalmente se a relação entre o colaborador, vítima da fofoca e a chefia imediata estiverem estremecidas.

Já as vítimas da fofoca são pessoas de personalidade marcante e única, que se destacam em meio ao grupo ao qual fazem parte ou que se opõem ao sistema estabelecido.

Como uma praga, a fofoca se propaga dentro das organizações, de modo a causar graves repercussões não somente para a vida profissional e pessoal da vítima (doenças psicossomáticas, problemas conjugais, perda da credibilidade profissional e demissão), mas para quem está envolvido na divulgação do ato maldoso.

Para o nosso bem, foi aprovado pela Câmara dos Deputados, no dia 12 de março deste ano, o texto base do projeto de lei que torna o assédio moral como crime previsto no Código Penal, resultando em pena de detenção em regime fechado para quem o promove, de 1 a 2 anos.

A nível organizacional, o fofoqueiro sofre as suas consequências pela própria cova que cavou: de tanto fofocar, cria um ambiente desconfortável para a convivência e de desconfiança, ficando isolado pelos demais colegas e, em alguns casos, não pode ser aproveitado em outros departamentos, sendo, por fim, demitido por se constituir um perigo em potencial à empresa onde trabalha.



Nem a organização está livre das consequências das fofocas. Indenizações trabalhistas em virtude de ações impetradas pelos colaboradores que, por ventura, se sentirem lesados moral e psicologicamente pelas fofocas são inevitáveis e arranham a imagem das empresas se houver como agravante a divulgação destas fatalidades pela imprensa.

Para evitar tais desagrados, é necessário que os gestores façam valer a política das organizações, educando os colaboradores no sentido de cultivarem um comportamento de alto e elegante nível profissional, que não condiz com a prática dos maledicentes fofoqueiros.

E aos colaboradores, dou uma dica: como aquele trio elétrico que invade sua rua em meio a uma conversa que você tem com o seu vizinho, faz aquele estardalhaço e depois vai embora levando seu barulho ruidoso, faça o mesmo com o fofoqueiro.

Ah! E não leve o ruído adiante, certo?


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