Hoje percebi que dentro de mim mora alguém

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Hoje eu coloquei a mão no meu peito, e vi que embaixo dela havia alguém.



A dor sempre nos chega. Pode ser num dia nublado, em uma noite solitária, ou até mesmo em uma festa lotada de gente. A dor chega. Chega, não faz avisos e nem vem com hora marcada. Ela simplesmente entra em nós e senta. Talvez ela seja uma grande inspetora, que passa de pessoa em pessoa para verificar como estão as coisas dentro de nossos corações.

Todas às vezes que ela aparecia eu olhava para fora. Assim, como muitos, eu acreditava que esse era o único jeito de olhar. Então, eu procurava no mundo o significado da minha dor.

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Porém, hoje quando ela veio e assaltou forte minha alma eu coloquei a mão no peito. Como se aquele sentimento estivesse apertando algo ali. Foi então que na palma da minha mão eu senti um calor diferente. Senti meu próprio peito e foi aí que eu percebi que havia uma pessoa que estava ali: Sofrendo, abandonada, sozinha, precisando de alguém… precisando de mim.

Foi uma surpresa entender como é comum nos abandonarmos nos momentos em que mais precisamos de nós mesmos. Somos seres que precisamos ser amados, respeitados, valorizados e apoiados sempre. São necessidades da nossa alma, porque quando atendidas são elas que acendem a chama da nossa luz interior. Porém costumamos jogar essa responsabilidade para os outros. Acreditamos que as pessoas a nossa volta devem suprir as necessidades do nosso espírito. Esperamos amor demais, compreensão demais, atenção demais e não somos capazes de olhar para dentro e fazer isso por nós.

Esquecemos que dentro de nós existe alguém e esperamos que os outros lembrem disso.


Mas cada pessoa é apenas um ser humano. Precisamos respeitar a humanidade de cada um e entender que por mais boa vontade que uma pessoa tenha, ela não pode assumir uma responsabilidade que é só nossa.

Quando somos pequenos precisamos que um adulto cuide de nós, da nossa alimentação, higiene, saúde e bem estar. Conforme crescemos vamos adquirindo nossa independência, que é um dos maiores prazeres que temos: O prazer de se mostrar capaz. Afinal, não queremos ser dependentes dos outros pra sempre. Só que infelizmente não fazemos isso com nosso mundo interior. Não adquirimos nossa independência emocional quando crescemos, e continuamos com nosso comportamento infantil de esperar que os outros nos façam tudo. E quando o mundo se mostra incapaz de conseguir fazer tudo isso, culpamos as pessoas, nos revoltamos, brigamos, guardamos mágoas e nos fechamos para a vida. Pois, acreditamos estar sendo injustiçados. Nos julgamos por isso e pensamos que se o mundo não faz tudo por nós é porque somos defeituosos e não merecemos.

Mas a realidade é que essa dor é apenas a visita da verdade. É apenas uma amiga que vem nos mostrar que alguém está sendo abandonado, e que a responsabilidade não é de ninguém senão nossa. Essa dor reflete apenas a distância que estamos de nós mesmos.

Quem está consigo jamais se sente sozinho e abandonado. Isso acontece porque se apoia. É uma pessoa que não se trai, que jamais se critica, se condena ou se julga. Ela olha tudo com serenidade e analisa os fatos como são, refletindo sobre o que precisa manter ou mudar. Mas ela nunca se bate por dentro.

Quantos de nós não nos espancamos interiormente? Nos humilhamos, xingamos, se consideramos menos? Depois esperamos por alguém que recolha os cacos do que sobrou de nós e conserte tudo.

Isso é mendigar emocionalmente.

Claro que quando alguém nos dá apoio e carinho é bom, mas primeiro precisamos ter isso em nós. É bom quando alguém nos convida pra sair e nos paga um jantar, mas depender de alguém que sempre nos pague um jantar pra que possamos comer é terrível, pois ficamos reféns de uma pessoa. E quando ela não estiver mais ali fatalmente morreremos de fome.

Hoje percebi que eu não quero mais deixar minha alma morrer de fome: de fome de amor e de apoio que eu deixei ela passar por ser negligente com ela.

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As coisas estão no mundo para que eu possa usufruir e as pessoas pra me fazer companhia, mas nada tenho senão a mim, e o mínimo que eu posso fazer é cuidar bem do que tenho. Por isso me comprometi a nunca me abandonar. Vou estar sempre do meu lado, me apoiando em todas as situações, valorizando aquilo que sou, respeitando meu próprio eu, dando atenção ao que sinto, compreendendo meus limites e admirando minhas qualidades. Porque minha alma é uma criança aos cuidados do meu pensamento, e só pensando bem dela é que ela vai poder crescer forte e independente pra mostrar seu brilho ao mundo, sem medo de viver, sabendo que estarei para sempre com ela.

Por que quem está consigo, nunca anda sozinho!

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