Já dizia o ditado: se conselho fosse bom…

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Já dizia o ditado que se conselho fosse bom, a gente não dava, vendia. Para isso surgiram os consultores, os coaches, os técnicos – para vender conselhos que de tão lógicos, bem trabalhados  ou “na cara”, depois de apresentados ficamos nos perguntando: como não pensei nisso antes!



A lógica do bom aconselhamento é simplesmente não se meter. Tampouco imaginar atitudes como se você fosse a outra pessoa. Você é você; ela é ela. (uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa). Assim, regra de comportamento número um: Não dê conselhos!

Regra número dois: Se não vai ajudar, então não atrapalhe. E é isso que normalmente ocorre. Na ânsia de impormos nosso ponto de vista como sendo o mais correto para a pessoa que está passando por uma situação desconfortável em algum momento, projetamos nela toda a nossa total inexperiência nos sentimentos e nas vivências  daquela pessoa. E, na maioria das vezes atrapalhamos.

Atrapalhamos porque aquele a quem aconselhamos não percebe o seu próprio dilema da forma como imaginamos. A pessoa tem sentimentos, medos, anseios envolvidos. Ou ainda tem outros dominós no seu joguinho que não nos foram apresentados,  cuja peças que nosso conselho mexeu desencadeiam uma série de derrubadas que não havíamos previsto e que nem ela própria consegue suportar (os relatos, os problemas, os fatos não são contados em sua totalidade). Nós sabemos a nossa história, nossas dores, nossas verdades e mentiras. Outra pessoa pode passar pelo mesmo fato e reagir de maneira totalmente inversa, refletindo a sua própria história e seu comportamento, sua força, sua fé ou descrença. Isso se repete todo dia.


Regra número três: Antes de aconselhar, pergunte o que a pessoa precisa. Boa parte das vezes as pessoas precisam somente ser ouvidas, abraçadas, compreendidas. Não precisam de discursos do tipo: ah se fosse eu, isso não teria acontecido! Sinceramente, tenho certeza que é a última coisa que gostariam de ouvir.

Regra número quatro: Se alguém te pedir um conselho, faça uma devolutiva instantânea para esta pessoa. Simplesmente faça-a refletir sobre o tal assunto, sobre o pedido. Deixe-a falar sobre o que pensa até que perceba que ela mesma já apresentou ou tem a solução para o que procura aconselhamento. Normalmente as pessoas não querem conselho, querem apenas validar uma decisão já tomada, mas que não tiveram coragem de implementar, de seguir com ela.

Por isso os experts – consultores, coaches e técnicos – vendem conselhos. Eles analisam situações e criam estratégias. Advogado dá parecer; médico prescreve; engenheiro calcula e apresenta planilha; designer projeta. Todos eles e tantos outros aplicam suas expertises para tentar auxiliar quem os procura. São conselheiros profissionais.


Se você não tem expertise, somente escute. Escute e se cale. Abrace. Esteja presente. Esteja inteiro com seu coração, um café, um bolo, um sorriso. Leve uma flor, um bombom, uma travessa de macarrão. Mas não aconselhe.

Posso te dar um conselho? Nem ao menos pergunte isso.

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