Lidando com o sofrimento…

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Eu nunca acreditei que as coisas simplesmente aconteciam sem um propósito especial, de maneira os ensinamentos que me foram dados devem ser transmitidos. Acredito que minha ação ajudará alguém ou muitos no tempo certo. Tentarei resumir uma parábola budista, com o máximo de qualidade para que possamos falar dela.



Certo dia, uma moça chamada Krisha Gotami estava com seu filho nos bosques e esse sem querer tropeçou em uma serpente que o atacou em defesa. A criança rapidamente caiu no chão, totalmente esbranquiçada. Vendo aquilo Krisha pegou o filho nos braços e implorou por alguém que desse um remédio ao seu filho, porém todos lhe diziam que a criança estava morta e de nada adiantaria.

Então Krisha encontrou um camponês que lhe disse que conhecia alguém que poderia ajuda-la e ele a levou até Buda. Quando Krisha chegou até Buda e explicou o que aconteceu ele disse: Eu lhe direi algo que com certeza ajudará você, vai de porta em porta e pede por um grão demostrada preto, mas aviso que na casa não pode ter havido morte alguma. Assim Krisha sai em busca da semente, porém em toda casa em que passa e pergunta se havia morrido alguém as pessoas diziam que sim. Depois de cansar de tanto procurar ela volta até Buda e diz que não pode encontrar e que dissesse a ela onde procurar. Buda reponde:

“Irmã, procurando o que não podes encontrar, achaste o amargo bálsamo que eu queria dar-te. Sobre teu seio, o ser que amas dormiu hoje o sono da morte. Agora já sabes que todo mundo chora uma dor semelhante à tua. O sofrimento que aflige todos os corações pesa menos do que se concentrado num só. Escuta! Derramaria eu meu sangue se, derramá-lo pudesse deter tuas lágrimas e trazer seu filho a vida.


Assim como os frutos maduros caem da árvore, assim os mortais estão expostos à morte desde que nascem. A vida corporal do homem acaba partindo-se como a vasilha de barro do oleiro. Jovens e adultos, néscios e sábios, todos estão sujeitos à morte. Porém, o sábio que conhece a Lei não se perturba, porque nem pelo pranto nem pelo desânimo obtém a paz, mas pelo contrário, isso tudo aviva as dores e os sofrimentos do corpo. Quem deseja a paz da alma, deve arrancar de sua ferida a flecha do desgosto, da queixa, da lamentação. Feliz será aquele que consegue vencer a dor. Sepulta tu mesma o teu filho. ”

Eu conheci esse conto em um texto que tinha por objetivo explicar as nobres quatro verdades, essa nos explica sobre o sofrimento. Todos nós sofremos algum dia com alguma coisa, seja com uma pessoa que partiu, um casamento que se acaba, uma frustração de objetivo inalcançado.  Então quando olho pela internet eu vejo muitos lugares que falam sobre evitar o sofrimento, ser feliz, aproveitar a vida e são opiniões válidas e muito boas, mas eu gostaria de dar a minha visão do assunto.

Esse foi um ano extremamente difícil para mim, toda minha vida desmoronou como um castelo de cartas e por muitas vezes em pensei em desistir. A dor é muito grande e você não percebe quando ela vai passar; por vezes você quer ser feliz e tenta ser feliz, desesperado corre como a mãe atrás de um grão de mostarda. Então essa parábola me ensinou que nada perdura para sempre, nem as coisas e situações, tudo há de acabar um dia. Nesses momentos existe somente uma coisa que se pode fazer. Sentir dor, ficar triste e deixar que isso flua por você, permitir-se entristecer, sentir aquilo tomar o seu corpo. Acredite em mim, isso vai passar; se você permitir que flua através de você, esse sentimento vai passar.


Diz o conto que após a mãe ter sepultado seu filho no bosque em que ele morreu, ela retornou para seu lar e meditou em sua dor. Ajudei uma moça certa vez que me disse estar triste por ter perdido o namorado, que lhe era muito importante, pois sua família estava em outro estado e ela era sozinha. Depois de dar alguns conselhos ela me disse que as pessoas estavam sempre felizes e ela sempre triste e isso a chateava. Eu retruquei dizendo que haviam dois motivos para isso; o primeiro é que as pessoas compartilham com as outras o que elas têm de melhor, por isso ao encontrar um amigo vamos lhe mostrar nosso melhor; o outro é que as pessoas não demonstram seus problemas, pois existe uma necessidade muito latente em nós em mostrar que somos felizes e prósperos em nossas vidas. Não se engane, ninguém é sempre feliz; aqueles que nunca demonstram a dor é porque a guardam toda dentro de si.

Finalmente eu gostaria de dizer que todos estamos fadados a sofrer por algo que perdemos, mas como Buda mesmo diz: Quem deseja a paz da alma, deve arrancar de sua ferida a flecha do desgosto, da queixa, da lamentação. Feliz é aquele que vence a dor. Não se engane, felicidade é alcançada não estando desgostoso, não se queixando ou lamentando, mas que aceita de coração aberto a dor e sendo paciente e bondoso consigo alcança a felicidade dentro de si, após entender essa nobre verdade de Buda. Tudo é transitório.

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