Minha amiga depressão…

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Quando se tem uma doença no corpo físico, é muito mais fácil das pessoas sentirem empatia por você. Lembro-me quando operei a garganta, quebrei o braço e tantas outras situações de doença,  o quanto as pessoas que nos amam nos acolhem. Diferente quando se tem uma doença que não aparece no físico. Que está na cabeça. Complicado!



Depressão é uma doença na mente. Falta um certo número de neurotransmissores para fazer as conexões corretas no cérebro, capazes de influenciar seu estado emocional, principalmente,  sua capacidade de sentir prazer e alegria.

Diferente de algumas pessoas que passam por isso, não me sinto culpada. Sei que estou passando por esse processo por algum motivo mais profundo. Para nos iluminar, precisamos trazer, fazer emergir nossas sombras. Como fazer uma faxina sem ver onde está a sujeira? A partir de hoje, vou chamá-la de “amiga depressão”.  Minha amiga, sim, pois ela me faz ter contato com meu ser, meu espírito, uma parte de mim, até então, desconhecida. Estou tirando lições valiosas sobre mim mesma. Entendo, compreendo e aceito com gratidão.

Mas, enquanto estamos nesse processo, brigando conosco mesmo, e todas essas sombras vindo à tona, faz parte nos sentirmos sem esperança,  parece que perdemos um lugar no mundo que precisa ser reencontrado. Na busca desse reencontro,  o caminho não é fácil.

Então,  vou falar dessa minha caminhada. Ainda estou nela, por enquanto. Tenho certeza de que mais para frente escreverei como peguei na mão dessa minha nova amiga e juntas conseguimos superar as dificuldades e crescer… e me reencontrar…  e evoluir… e ser feliz de verdade!


Não acreditei e me senti atacada no ego, quando meu médico cardiologista disse-me que minha pressão alta é emocional.  É claro que tem o fator genético aí,  mas, no meu caso, por enquanto, o gatilho que aciona a hipertensão é o emocional.

Opa! O negócio já está feio há algum tempo. Alerta vermelho! Como assim, eu, Espírita,  terapeuta holística, ter depressão?  Nunca! Não tenho isso não. Acho que em toda doença, quando recebemos o diagnóstico, temos esse momento de negação e revolta. Ok. Vamos encarar.

Li tudo sobre essa minha amiga. Li toda sua biografia, vi, realmente, que temos muito em comum. Somos amigas íntimas. Tanto que nem sei quando sou eu ou quando é ela. Mas ela está me ensinando…


O interessante dessa amiga é que ela nos faz trilhar o caminho da dor, e nessa dor ela nos mostra que precisamos nos transformar,  sair do casulo, procurar por nós mesmos, na marra. Doa a quem doer. Ela vem com tudo, afeta todos os campos da vida, principalmente, os relacionamentos.

As pessoas próximas não entendem, é difícil para elas também. Podemos procurar na Internet vários artigos que dão dicas de como enfrentar a depressão e também, como as pessoas ao nosso redor podem enfrentar junto conosco, mas nesse caminho, o que posso dizer para essas pessoas que nos amam é:

1. Informe-se sobre o assunto. Conhecimento é a chave para o entendimento e compreensão.

2. Tenha paciência. Eu sei, é difícil para você também, mas se você ama e se vale a pena ter essa pessoa na sua vida, aproveite essa oportunidade para evoluir também.

3. Apoie suas pequenas tentativas. A pessoa consciente de seu estado depressivo quer melhorar, quer mudança em sua vida. O simples fato de cortar um cabelo, por exemplo, é sinal de que a pessoa está tentando. Mudar a cara faz bem para a autoestima.

4. Ame. Não precisa falar nada. Se estamos em crise, só queremos ficar abraçados e nos sentir amados.

5. Não critique. A pessoa deprimida sofre com as armadilhas da mente e a aprovação da pessoa amada tem grande impacto sobre sua vida.

6. Tenha empatia. Olhe para a depressão como uma séria doença da alma e a acolha.

Para você, assim como eu, que também está de mãos dadas com sua amiga depressão, compartilho com meu coração o que estou fazendo nesta caminhada:

1. Ame-se. Lembre-se: você é a pessoa mais importante da sua vida. Tente fazer algo por você, mesmo que seja difícil.

2. Procure ajuda profissional. Isso faz parte do autoamor. Como é uma doença, provavelmente, terá que usar alguma medicação para ajudá-lo (a) nessa caminhada.

3. Fale sobre seus sentimentos. Chorar tem um efeito terapêutico de lavar a alma. Chore tudo, coloque para fora. Mas faça isso com pessoas que o amam de verdade, pois elas terão empatia por você.

4. Procure uma atividade física. Oxigena o cérebro, aumenta os níveis de serotonina, além de ficar em forma, promovendo uma melhora na autoestima.

5. Tente não ouvir críticas e julgamentos. É tudo que não precisamos. Por isso, estar com pessoas empáticas é importante.

6. Não desista. Temos altos e baixos. Mas lembre-se: tudo que sua amiga depressão quer de você é que você possa enxergar quem é você realmente. Sem máscaras! Por isso dói tanto. É difícil, mas podemos olhar para ela como uma professora linha-dura, que não lhe dá outra alternativa que não seja aprender a lição.

7. Você é uma pessoa maravilhosa! Vai superar isso! No final dessa caminhada, tenho certeza que nós e nossa amiga depressão vamos nos abraçar e dizer: Grata! Entendi tudo! Agora você já pode ir em paz!

Que este pequeno artigo/desabafo sirva para levar uma centelha de luz e esperança aos nossos queridos irmãos que estão atravessando este caminho, seja como caminhante, seja como acompanhante. Todos nós estamos suscetíveis às mazelas desse mundo de provas e expiações, vamos encarar essa prova com compaixão e paciência, tendo a certeza que tudo acontece para o nosso desenvolvimento. Tenhamos fé e persistência. Que Jesus nos abençoe hoje e sempre. Namastê!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: fotolit / 123RF Imagens

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* Matéria atualizada em 09/04/2018 às 3:56






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