Nós nos tornamos mais fortes quando nos desapegamos de quem não se importa conosco

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O apego é tão dominador que nos faz sofrer pela imaginação, às vezes, e nos torna totalmente aprisionados a um sentimento de abandono e insatisfação.



Já li muitas definições de desapego por aí como se fosse a coisa mais normal do mundo, e não é. Quando estamos apegados a algo ou a alguém, a sensação que temos é de proteção e ao mesmo tempo dependência.

Tudo em nossa vida gira em torno daquela pessoa, o nosso mundo parece não existir, se ela não nos der atenção. É quase uma obsessão, você começa a não respirar o próprio ar por se achar totalmente ligado ao outro, ao que ele sente, ao que ele faz ou deixa de fazer.

O apego é tão dominador que nos faz sofrer pela imaginação, às vezes, e nos torna totalmente aprisionados a um sentimento de abandono e insatisfação.


É algo que acontece dentro de nós, que mexe com o nosso emocional, que nos desequilibra cada vez que sentimos aquela pessoa distante.

Não li nada disso em livros, não falo por teoria, falo por experiência mesmo, e confesso: não é fácil nos desapegar, não é fácil deixar ir, não é fácil nos distanciar pelo medo da perda que temos e pela insegurança de estarmos abrindo mão do que aparentemente nos deixa de pé, mas que, aos poucos, está sugando o nosso respeito, o nosso tempo, a nossa identidade e o nosso valor próprio também.

Tudo o que aprisiona a nossa alma atrasa a nossa vida e não nos deixa feliz. E foi trabalhando o amor-próprio em mim que descobri que não é das pessoas que nos desapegamos, mas do que sentimos por elas excessivamente, e os afastamentos acontecem.

Mas isso só descobrimos quando o coração dói, não pelo que o outro não foi capaz de nos oferecer ou entender, mas pelo tanto que nos envolvemos sem nos proteger. Apego é muito parecido com amor, os sintomas são os mesmos, a diferença é que ele nos faz desistir de nós pelo outro, já o amor nos ensina a se transbordar dele para depois nos dedicar ao outro.


É por isso que, quando conseguimos nos desapegar, resgatamos não só a nossa autoestima, mas a força de ser nós mesmos, respeitando e amando o outro, mas dependendo só de Deus. 

 

Publicado originalmente em Cecilia Sfalsin.

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