O caminho do meio… – (só leia se tiver uma mente aberta!)

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O caminho do meio…

Recomendo que pessoas que possuam paradigmas muito rígidos não leiam este texto, pois, para compreendê-lo, é preciso ter uma “mente aberta” e um nível, no mínimo, razoável, de abstração intelectual, a fim de que a proposta seja realmente entendida.



Ressaltando que as palavras que seguem são interpretações minhas, portanto, não pretendo que sejam tomadas como verdade absoluta, e sim como uma proposta reflexiva.

Desde muito nova, sinto-me intrigada e instigada com o conceito budista conhecido como “o caminho do meio”.

Sob uma explanação simplista, o mesmo, pode ser concebido como a temperança que precisamos desenvolver para lidarmos com a vida de uma maneira mais equilibrada. No entanto, apesar de entender isso (racionalmente falando), sentia que alguma peça deste discurso não se encaixava, e como excelente teórica que sempre fui (no passado, tinha muita dificuldade de colocar meus conhecimentos em prática), passei anos de minha vida tentando trilhar essa parcimônia, entretanto, parecia que quanto mais eu me esforçava, mais eu pendia para um lado ou para o outro do Caminho.

Hoje entendo que isso acontecia porque, uma considerável parte minha, tinha uma autocobrança e um “perfeccionismo espiritual” extremo, que eram impulsionados por crenças rígidas do que eu havia idealizado como um ser humano evoluído (desde minha infância), pois ansiava tanto em chegar ao final da jornada (virar um Buda, rsrs), que não conseguia saborear o percurso. A sensação era mais ou menos como se eu estivesse em uma grande missão e no meio dela, por alguma razão ou cansaço, entrasse num estado dopado de consciência, esquecendo-me do real sentido da mesma.


Em contrapartida, porém, minha visão de mundo sempre foi bastante plural e diversa. E minha parte humana, por assim dizer, desejava viver prazerosamente as experiências da matéria. Logo, diante de tantas possibilidades, tornava-se difícil encontrar o eixo das coisas e, mais uma vez, eu me perdia num looping de emoções.

Isso pode parecer um tanto paradoxal, e realmente é, mas farei o possível explicar-lhes (rsrs).

Bom, para ser mais didática, esses meus dois aspectos, são conhecidos em algumas abordagens como luz e sombra (linguagem junguiana), ou yin e yang, numa linguagem oriental. E neste ponto, torna-se imprescindível ressaltar que todos nós possuímos essa dualidade interna, a única diferença, é que alguns se mascaram melhor do que outros.


Uma analogia que gosto muito de fazer, é com a épica saga Star Wars, onde a velha rixa do bem e do mal acontece de forma muito bem representada na guerra entre os Jedi e os Sith. Se, por um lado, os primeiros reprimiam a “maldade”, os outros reprimiam a “bondade”; causando (na minha interpretação) um enorme desequilíbrio energético no contexto geral da galáxia.

Acredito que ninguém possui apenas uma “face”, sendo assim, meu personagem favorito de Guerra das Estrelas não poderia ser outro, senão, o brilhante Anakin Skywalker. Isso, porque ele é o único personagem que deixa transparecer os dois lados da força. Porém, tragicamente, como seu lado obscuro não foi bem trabalhado, ele se desorienta, sucumbindo ao ódio e ao desejo de controle, transformando-se no idiossincrático, Darth Vader.

Quero deixar bem claro, que não estou aqui para fazer apologia ao “mal” no sentido religioso e, sim, para falar sobre questões da psique humana, que a maioria das pessoas prefere fingir que não existem.

Minha mais genuína intenção é na verdade, fazer você entender que nenhum tipo de sentimento ou emoção deve ser marginalizado ou oprimido e sim encarados, como algo natural, inerente à natureza humana, para a partir da aceitação, serem transmutados em “algo mais positivo”.

A inveja, por exemplo, se canalizada de forma consciente, pode nos impulsionar a novas conquistas na vida. Já a raiva, pode servir como um trampolim para que você aja diante de uma situação que vinha procrastinando há algum tempo, e a melancolia, pode ser incrivelmente capaz de trazer tesouros e riquezas das águas profundas do seu inconsciente, coisa que você jamais imaginaria que existiam, se apenas permanecesse na superficialidade da alegria imposta socialmente.

De acordo com a psicologia, tudo que reprimimos e não enfrentarmos, ganha muita força e, mais cedo ou mais tarde, torna-nos reféns; é como se os conteúdos rechaçados tomassem vida própria e nos possuíssem, quando, por algum motivo, baixamos a guarda, por assim dizer. E então, a sombra interior não assumida e, portanto, mal trabalhada  projeta-se no mundo, como um agente perverso e destrutivo de si mesmo e também do coletivo.

Diante de tantas reflexões, um insight vindo do meu Self surgiu: talvez não exista apenas o cego de escuridão, mas também o cego de luz  (metaforicamente falando).

No entanto, todos esses meus insights não surgiram da noite para o dia, eles foram e continuam surgindo ao longo do percurso.

É preciso trilhar o caminho para enfim, poder, não apenas entender mentalmente, mas realmente vivenciar o tal do Caminho do Meio, e isso é algo que se faz todos os dias.

Por fim, digo-lhes que foi através da aceitação e integração das minhas polaridades internas, tornei-me mais forte, inteira e, principalmente, mais real do que jamais fui.

Com toda a minha integrada integridade,

Tatiana M. Galvão

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Direitos autorais da imagem de capa: akkaradech / 123RF Imagens

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