O dia em que resolvi sair do facebook…

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Sabe quando tem alguma coisa na tua vida que está te incomodando, quando tu tens uma decisão a tomar e vai empurrando ela com a barriga? Isso acontece constantemente na minha vida com determinadas situações. Estar na zona de conforto, evitar o conflito, evitar a mudança sempre é algo muito mais cômodo pra mim, afinal de contas, eu não preciso lidar com as consequências da minha escolha. Estava com uma vontade em minha cabeça há alguns dias, ou melhor, há algumas semanas, talvez até mesmo há meses: sair do Facebook. Deixar pra trás uma rede social que fazia muito sentido em minha vida, mas que, com o tempo, foi se tornando algo maçante e, mais que isso, algo que estava “sugando” meu tempo, me hipnotizando, literalmente.



Já havia lido em diversos locais do quanto o vício em redes sociais e em smartphones pode ser algo prejudicial à nossa vida e sempre refletia que, em parte, muito disso é verdade. A tecnologia tem o poder de aproximar quem está longe, mas também tem o poder de afastar quem está perto. Meu saldo no FB é de 630 “amigos”, mas se for contar quem efetivamente mantem uma relação comigo, esse número não completa os dedos das minhas mãos.

Além disso, com o tempo, aquele conteúdo que as pessoas “compartilhavam” comigo foi ficando chato, maçante, repetitivo, não agregando mais valor aos meus dias. Mesmo assim, a primeira coisa que eu fazia ao abrir os olhos era olhar as minhas notificações. Que nunca paravam de pipocar. Tentei outras alternativas. Desativar o som das notificações, desativar as próprias notificações. Impor mentalmente a mim mesma de que só iria entrar no FB no horário de almoço ou no fim do dia. Nada disso estava adiantando. Lá continuava eu, rolando meus olhos no Feed de notícias, como se fosse uma espécie de vício mesmo.

Outra coisa que muito me incomodava era a “intromissão” das pessoas na minha vida virtual. Eu sempre procurei ser discreta no mundo real, mas nas redes sociais, acabava “abrindo” minha vida mais do que devia, aquilo era mais forte que eu. Isso dava margem pras pessoas seguirem a minha vida como se fosse uma novela. Tinha gente que sabia cada passo que eu dava, onde ia, com quem ia, etc. Em parte, a culpa também era minha. Mas quando eu não postava nada, ou as pessoas não sabiam por onde eu andava, a cobrança e intromissão vinham do mesmo jeito.


Fora todos os mau entendidos. Não tinha mais a liberdade de curtir ou comentar o que eu achava legal, pois as pessoas tiravam conclusões precipitadas. O FB é um ambiente em que tudo é exagerado. Se você postar algum texto reflexivo, você está deprimido. Se você postar alguma foto em balada, você só pensa em festas. Se você postar algum gatinho fofinho (uma das minhas paixões!), você só pensa em gatos. Se você postar a foto de um homem bonito, você é “pegadora”. Tinha muita coisa que eu simplesmente não postava, pois sabia dos “efeitos” que teriam, entre os fofoqueiros de plantão. E, mais uma vez, as intrigas continuavam. Pessoas que nem me conheciam, ou mal me conheciam, tirando conclusões sobre mim, como se fossem inquisidores da Idade Média. Como se fossem juízes. Culpada.

Esse era um dos meus sentimentos: culpa. Culpa por ser feliz, por expor isso nas redes sociais. Também tinha o sentimento de frustração, quando queria sair dali e não conseguia, quando via meus finais de semana se esvaindo ou quando saía com pessoas que não me davam atenção, pois elas precisavam só dar mais um like naquela foto e responder o inbox que tava apitando. Ou então o sentimento de inveja. Ah! A grama dos outros era sempre a mais verde. Tanta gente viajando mundo afora. Tanta gente com suas família felizes, seus bebezinhos fofos e sorridentes. Tanta gente bem sucedida, profissionais de sucesso. E tanta gente com turmas e turmas de amigos e eu, ali, com minha meia dúzia de gatos pingados.

Pois bem, entendo que redes sociais são um ponto de encontro e convergência entre pessoas. É algo que já está enraizado na sociedade, não tem mais volta, um dia a bola da vez foi o Orkut, hoje é o Facebook, talvez daqui a alguns anos a rede social seja diferente, mas as pessoas que a frequentam serão as mesmas. Sei que uma rede social tem o seu lado bom, mas também tem muita coisa ruim rolando ali.


E foi no meio desse misto de sensações que eu tomei essa decisão. Vou “dar um tempo”, sair fora, parar, refletir, retomar as rédeas da minha vida, usar meu tempo livre de forma mais inteligente. Focar em outros projetos da minha vida que estão estagnados. Conhecer outras redes sociais. Trabalhar de forma mais efetiva, sem interrupções das notificações que ficam chegando o tempo todo. Se eu vou voltar para o Facebook? Não sei ainda. Acho que preciso de um pouco mais de tempo para “desapegar” daquela rotina virtual. Preciso de um pouco mais de tempo para rever meus conceitos sobre meus amigos virtuais. Preciso de um pouco mais de tempo para organizar o meu tempo. E voltar a usar o FB de forma mais inteligente e produtiva.

Não deixar que uma rede social domine a minha vida, mas sim o contrário, que ela reflita o que eu sou, de verdade. Que ela seja apenas uma das coisas bacanas da minha vida. Um espaço onde eu possa relaxar, absorver conteúdos edificantes, conversar com pessoas que estejam dispostas a trocar ideias e não ficar “se metendo” na minha vida, sem nada acrescentar.

No dia em que eu tiver maturidade suficiente para deixar que uma rede social seja apenas isso e não a minha razão de viver, quem sabe eu volte para lá

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