O momento em que percebi que não era amor-próprio, e sim arrogância e narcisismo meu

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Amor-próprio ou narcisismo?

Até um tempo atrás, sem me dar conta, vi muita gente que gosto, admiro e tinha algum vínculo emocional, afastar-se de mim. Não entendia o porquê aquele tipo de coisa estava acontecendo, logo comigo. Sempre fui uma pessoa tão legal, boa de papo, bonita, inteligente e tão eu. Ninguém tem motivos para querer se afastar de mim.



Porém, ao passar os dias, eu fui me observando e enxergando nos próprios comentários que direcionada a alguém ou a algo. Nos históricos de conversas nas redes sociais com as pessoas que falavam comigo, nas rodas de bares, baladas, faculdade e etc.

Pude perceber o quão arrogante eu era com as pessoas ao meu redor, porém, sempre usando aquele discurso de “isso se chama amor-próprio”. Não. Definitivamente, aquilo não era amor próprio, e sim algo mais para o narcisismo. Como se tentasse provar algo para mim mesmo, a todo momento, sabe?

Este texto tem a intenção de refletir sobre o que é esse tal de “amor-próprio”que defendemos com tanto entusiasmo e convicção.

Já parou para pensar o quão arrogante as pessoas se tornam com o passar do tempo? Esse jargão de “me, myself and i” soa de forma tão egoísta e mesquinha, que deveria estar explícito e claro em nossas mentes, mas nós simplesmente não percebemos o fenômeno acontecer, porque somos egoístas e mesquinhos também, ao ponto de não enxergar um palmo à nossa frente. Infelizmente, nós nos identificamos, e a partir desta cultura do “eu me amo, eu me valorizo”, “consigo tudo o que quiser, basta eu querer”, começamos a ver nossa sociedade de forma individualista, competitiva e solitária.


Um exemplo claro disso são os relacionamentos construídos hoje. Observe que existe uma disputa enorme entre os egos, para saber quem vai responder à mensagem por último, quem vai se mostrar menos interessado, quem vai curtir menos publicações do outro, e assim por diante. Para quê? Qual o sentido disso? Por que? A resposta mais utilizada para argumentação, será: “isso é amor-próprio”.

Agora eu lhe pergunto: o que é amor-próprio? É fazer pouco caso de alguém, por achar que essa pessoa possa fazer pouco caso de você, antes mesmo do fato acontecer (através de hipóteses)?

É marcar um encontro com alguém, e no dia do encontro desmarcar, alegando qualquer desculpinha esfarrapada para se sentir no controle da situação? É demonstrar desinteresse para que a outra pessoa se ajoelhe e o venere, só para massagear seu ego? Ou é mostrar-se soberano e dogmático naquilo que diz, mesmo errado, só para mostrar o quão “poderoso e formador de opinião” se é?

As pessoas estão tão preocupadas em se proteger de pessoas que possam lhes fazer mal, que elas estão se tornando más, sem ao menos conseguir se dar conta disso. Daqui a alguns anos, teremos um monte de gente que se acha tudo de melhor e extraordinário do universo, e ao mesmo tempo tão solitárias consigo mesmas.


Ainda não conseguimos encontrar companhia em nós mesmos, não somos tão sensatos assim.

Então, faça um favor à humanidade: tente ser alguém menos arrogante e mais “idiota”. Porque, no fim das contas, o “idiota” estará com outro “idiota”, e o todo poderoso… sozinho!

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Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: yeko / 123RF Imagens

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