O que fazer quando encaramos a “impiedosa” pedagogia da dor em nossa vida?

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Antes de qualquer outro comentário, a resposta para a pergunta-título deste artigo: aprender com humildade, resiliência, resignação e inteligência.



Quando, de forma individual ou coletiva, a Vida nos impõe situações às vezes “absurdas” como a dolorosa tragédia do acidente com o avião transportava o time brasileiro de futebol de Chapecó (SC), o Chapecoense, naquela inesquecível e fatídica noite entre os dias 27 e 28 de novembro de 2016. A aeronave voava sobre a Colômbia com 77 pessoas a bordo, sendo 68 passageiros (entre jogadores e comissão técnica da Chapecoense e jornalistas brasileiros) e nove tripulantes.

Seis passageiros sobreviveram e, outros quatro – que, teoricamente, deveriam estar naquele voo fatídico, sequer embarcaram. Por um motivo, ou outro, tiveram uma espécie de “livramento” pelo destino.

Sob a complexa ótica espiritualista, há vários pontos interpretativos que nos concede explicações lógicas, na tentativa de justificar o porquê de tamanha tragédia que causou uma espécie de “detonação de uma bomba emocional imaginária”, causando dor, comoção e perplexidade mundial.


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Além das questões cármicas, muito lógica para que entendamos e possamos, de certa forma, “aceitar” esse tipo de ocorrência absurda, porém, a qual todo e qualquer ser humano está vulnerável; há também diversos outros “elementos espiritualistas” aos quais possamos utilizar para tentar entender tudo isso que ocorreu e seus efeitos psicossomáticos coletivos e que, ao menos em alguns instantes e, por alguns motivos, parecem unir pessoas, clubes esportivos “rivais” (…) Parece unir até mesmo nações inteiras, desde e de outros continentes!

Reflitamos sobre este ponto exato: a comoção, resultado de um forte e violento processo doloroso, que resulta em compaixão, em carinho, em afeto, em união… Uma poderosa força/energia negativa, de morte que, pelos mecanismos do “choque traumático”, do “choque emocional”, por exemplo, consegue paralisar multidões, de diferentes localidades, no mesmo instante em que, “chocadas”, estas multidões se dão conta da fragilidade físico-emocional humana e de que, sim!, somos iguais nas diferenças.


Essas fatalidades que comovem pessoas, nações, continentes…. Toda desgraça, toda tragédia… Coisas desta natureza que nos causam alguma dor física, psicológica ou mesmo moral… Todos estes intensos e poderosos mecanismos transformadores que a Vida se utiliza para “nos corrigir”, espiritual e moralmente, resultam em profundas e marcantes transformações, mesmo naqueles que são mais emocionais, espiritual e moralmente, endurecidos.

Sobre esta tragédia recente, não há um ser humano, por mais indiferente ou gélido que seja, que não se comova – que seja por um minúsculo momento – com os efeitos, as consequências resultantes desta dolorosa tragédia, ou seja, quando se pensa na dor do luto dos familiares das vítimas; ou quando se pensa nos sonhos, nas aspirações, nos planos para um futuro promissor, tudo isso interrompido por esta fatalidade…

Nunca, dantes, neste planeta expiatório, e em transição dimensional, no universo esportivo, se viu ou se testemunhou tamanha tragédia, tão doloroso luto a ponto de tudo isso servir para o que, em circunstâncias “normais”, poderia ser considerado o “impossível”: a união de torcidas, clubes esportivos e até de povos de diferentes países. Antes, era cada vez mais comum, quase rotina, a ocorrência de violentas brigas, agressões gratuitas, vandalismos e tudo de maligno, dentro e fora das arenas esportivas… Muita gente, a maioria inocente, perdeu a vida por conta da animalidade, da bestialidade de certos “humanos”, sem sentimento humanitário, sem amor e respeito pelo próximo.

Daí, em meio a tantas violências e intolerâncias no universo esportivo, eis que a Vida surpreende com uma tragédia tão violenta, tão agressiva, tão pesada e forte, capaz de “chocar” multidões, em diferentes partes do planeta. “Ah! Mas a tragédia do 11 de setembro, em Nova Iorque, Estados Unidos, teve muito mais vítimas! ”… “A sucessão de catástrofes naturais na Ásia, que causou aquele enorme tsunami também matou muito mais gente! ” (…) “Pera lá”? Este artigo reflexivo não objetiva fazer “contabilidade” de vítimas. Por favor, se você pensa isso, me poupe!

O objetivo deste meu artigo – nesse momento de grande dor e luto para o Brasil, sobretudo para Chapecó (SC) – é fazer uma reflexão, e convidar você a também fazê-la – sobre a “pedagogia da dor” como um forte e “impiedoso” mecanismo que a Vida utiliza para nos causar profundas e marcantes transformações, sempre para melhor, seja individualmente, em uma única pessoa; seja coletivamente, em pequenos núcleos de pessoas (família, por exemplo), ou até mesmo em expressivas ou grandes proporções, como parece ocorrer na recente tragédia aqui mencionada neste artigo.

Sempre em situações de forte comoção coletiva, as pessoas “se descobrem”, se “desarmam” de suas máscaras ou de personagens que criam para aparentarem força ou poder – mera ilusão, fantasia perigosa. Sempre em situações tão dolorosas e chocantes, pessoas se voltam para a solidariedade, a compaixão, o amor ao próximo.

E a autorreflexão de que “hoje foi ele, a qualquer momento, poderá ser eu, ou meu pai, ou minha mãe, ou um filho meu…”; nos leva obrigatoriamente a encarar a Vida ou o viver a Vida com maior responsabilidade, conosco e com todos com os quais interagimos na jornada do viver e, sem nos darmos conta, acabamos nos tornando seres humanos melhores, mais amorosos, mais fraternais…. Todos, parecemos contatar mais diretamente com o Amor Universal. No papo reto, a gente passa a enxergar o outro e, melhor, passamos a nos enxergar melhor, com maior atenção às nossas fraquezas, a tudo aquilo que precisa ser reajustado em nós, por uma Vida melhor, por um mundo melhor.

Infelizmente, foi preciso uma tragédia dolorosa, gigantesca, para humanizar e encher de amor, de carinho, de solidariedade, de companheirismo, de tolerância e do verdadeiro espírito esportivo no futebol, no mundo esportivo.

Que o maior ensinamento, a maior lição resultante de toda esta tragédia, não se perca, não seja em vão. Que “o sacrifício” destas dezenas de seres humanos seja lembrado toda vez que uma sombra de violência, de algo maligno, tentar contaminar uma partida esportiva, um estádio lotado, ou qualquer evento esportivo ou social, doravante.

Todo este turbilhão de emoções, todo este “mar de lágrimas”, infelizmente é o resultado da “pedagogia da Vida”, aquela que tenta ensinar pelo amor, mas que, quando não aprendemos desta forma, ela acaba forçando o nosso aprendizado pela dor. E, desta vez, tá doendo “pacas”!

Muita paz, luz, força e conforto espiritual para todos, os direta e os indiretamente envolvidos pelas densas e dolorosas energias emanadas e propagadas por esta fatalidade. Até o nosso próximo artigo.

Terry Marcos Dourado

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