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O que uma calça 34 me ensinou…

Chego à conclusão que sempre vamos nos importar com a opinião alheia. Isso acontece porque sempre queremos fazer parte de um grupo, é algo que os sociólogos conhecem muito bem. Gostamos de nos sentir pertencentes a algum grupo, um ideal comum.

Mas nessa busca de nos enquadrarmos, acabamos nos deixando pelo caminho ao nos forçarmos a fazer algo que não condiz com a nossa verdade.



Vou contar um causo para vocês da minha adolescência, onde hoje eu vejo o quanto eu tinha uma necessidade enorme de me encaixar nos valores de um determinado grupo.

Eu devia ter uns 14 anos e eu queria muito comprar uma calça jeans de marca que me deixasse bonita. Então eu fui com a minha mãe ao shopping, fui à lojinha da galera e pedi uma calça 34. Eu acho que naquela época eu usava 36 ou 38. Vocês têm noção do absurdo que era comprar uma calça 34?

Como a 36 estava ligeiramente folgada (na minha cabeça estava, o que eu queria era ficar mega apertada porque eu achava que isso é que era bonito) eu achei que 34 estava ok. Sabe o que aconteceu?

Eu tive que fazer malabarismos para entrar na calça, minha mãe coitada ficou indefesa frente a minha insistência, mas eu teimei que era aquela. Eu estava tão apertada que eu parecia uma tábua de reta sem forma alguma. Eu estava ridícula e mais: eu estava sentindo dor na barriga de tanto aperto. Mas comprei mesmo assim. Devo ter usado 2 vezes. A minha perna parecia estar engessada… meu Deus!


Eu busquei agradar pessoas e prejudiquei a mim. A minha referência de beleza, de roupa, de me sentir bem era com base na opinião dos outros. Eu queria no fundo sentir que era aceita.

Mas o que aconteceu foi que eu deixei de ser eu mesma, eu me perdi tentando causar uma boa impressão. Ainda que eu estivesse com uma calça que não fosse do agrado dos outros, eu estaria, com certeza, muito mais feliz porque estaria agradando alguém muito mais especial: eu mesma.

Os nossos valores devem nortear a nossa vida diariamente. Se fugirmos deles estaremos seguindo caminhos que não são os nossos. A falta de autoestima pode ser um dos motivos de nos incomodarmos tanto quando desagradamos alguém com nossas escolhas.


A nossa família geralmente deseja nosso bem e são as primeiras pessoas a dar pitacos e até a desaprovar atitudes e escolhas; eles fazem isso querendo o nosso bem, achando que estão nos protegendo.

Mas devemos acolher todas as críticas e opiniões, tomar as devidas precauções que nos cercam, mas, ao fim, fazer o que nossa consciência e, principalmente, nosso eu interior nos dizem e intuem a fazer.

Sejamos mais amigos de nós mesmos e que possamos escolher o tamanho certo de calça por favor (risos).


Direitos autorais da imagem de capa: Alina Miroshnichenko / Unsplash

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Texto escrito com exclusividade para o site O Amor. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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