O sofá…

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Mas um dia, de repente, algo acontece e pulamos do “sofá”, corremos para o espelho e nos olhamos…

Nos dias de hoje estamos conhecendo, cada vez mais, pessoas e lugares. Temos acesso a todo tipo de informação, passamos, a maior parte do tempo, nas redes sociais, checando os perfis alheios e esperando, ansiosos, as “curtidas” do nosso “selfie”. No entanto, estamos nos tornando, a cada dia, mais distante de nós mesmos.



Levantamos apressados para o trabalho, nos minutos de folga estamos nas redes sociais. A noite chega e temos a sensação de que estamos esgotados. No entanto, não conseguimos descansar, “apagamos” no “sofá”.

O tempo passa… E esperamos “depois do Natal” para mudar de vida e começar a pensar mais em nós. No entanto, o Natal passa e não cumprimos nosso objetivo, continuamos tombados no aconchegante “sofá”. O ano chega e muitas promessas juntas, “depois do ano novo é vida nova”.

No entanto, começa o ano e nada novo parece ser bem-vindo.  Olhamos para o “sofá” e, lá está ele, que já precisa ser trocado por um novo pois é, ali, o lugar que mais gostamos de ficar e que passamos a maior parte de nossa vida.


E com isso procrastinamos… “um dia vou conseguir ter um tempo para mim”… “depois que as crianças crescerem”,  “depois que terminar de estudar”,  “depois que aposentar”, “depois….”.  E assim a vida passa, os anos chegam, os filhos crescem e se vão. E um dia, percebemos que não há mais, muito tempo, pois estamos mais envelhecidos e isso se torna, também, mais uma justificativa em nossa vida para não sairmos do “sofá”. O corpo não cuidado e o espírito não alimentado só querem saber de um lugar ali, naquele antigo “sofá”, que sempre nos aconchegou. E assim passamos pela vida, não vivemos, vamos apenas existindo.

Mas um dia, de repente, algo acontece e pulamos do “sofá”, corremos para o espelho e nos olhamos… Olhamos com a intenção de saber o que está acontecendo e, não sabemos o que há, mas algo fala mais alto. Continuamos ali boquiabertos, procurando saber o que é aquela inquietude que nos toma conta, mais e mais… “que sensação estranha”! Nos olhamos e não vemos nada.  Não sabemos, mas deixamos uma oportunidade passar.

Voltamos para o “sofá”, frouxo e afundado pelo nosso peso de anos, e ficamos, ali, inquietos, insatisfeitos, e pensamos “não estou cômoda em meu lugar favorito”, mas não damos maior importância a essa sensação, nos acomodamos, mais e mais, e tentamos nos distrair com outras coisas. No entanto, a inquietude não nos deixa. Pegamos o celular e “garimpamos” as redes sociais, “curtimos” até aquilo que não queríamos, mudamos o canal da televisão diversas vezes, mas nada, nada nos aquieta… E  o “sofá”, também,  não nos parece tão aconchegante mais… Precisamos trocá-lo!


De repente, que maravilha! Uma “ideia brilhante. Pulamos fora do “sofá” prontos para começar a tomar as primeiras providências…

…“então,  é isso que eu preciso!”  Saímos pela rua, olhando para todos os lados, andamos, andamos e nada. Estamos quase desistindo de nosso objetivo e de repente, pararmos atônitas. Encontramos! E do outro lado da rua lá está, imponente e convidativa, esperando por nós, uma vitrine de “sofá”.

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* Matéria atualizada em 20/03/2017 às 5:28






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