Para quem ainda está nesta onda de “busca da felicidade”

Você veio a este plano para ser feliz, para tentar ser feliz, para ser feliz, se der, ou para fazer tudo o que for preciso para ser feliz?

Ou então, veio para que os outros e as circunstâncias da vida lhe façam sentir esta tal felicidade?Felicidade, talvez, seja tomar um café quentinho toda manhã nos tempos mais frios do ano. Porém, aos poucos, isso vira rotina, costume, torna-se um hábito e que tem pouco a ver com o conceito de felicidade que criamos. Porque não dá para ser feliz todos os dias do inverno com o tal do cafezinho quente de manhã. É muito pouco para ser considerado felicidade.

Se felicidade é plenitude de tudo, serenidade em todas as circunstâncias e resultados sempre positivos de esforços, talvez estejamos fadados a conviver com seu sentido contrário.

Nós queremos chegar ao fim do dia, deitar a cabeça no travesseiro e ter a sensação de que tudo o que vivemos foi mais positivo do que negativo. É que aprendemos que deve ser normal que as coisas deem certo. Deve ter sentido tudo o que fazemos, e todas as nossas orações deveriam ser aceitas.

A gente quer ser feliz, e quando estamos não entendemos porque o outro está infeliz e pensando a respeito concluímos que fizemos diferente do colega, tomamos atitudes acertadas, e estamos mais conectados com o Universo do que nosso vizinho ou amigo.

Oramos, meditamos, devoramos leituras sobre o termo, acompanhamos filósofos, pensadores, estudamos, frequentamos palestras, assistimos a vídeos, utilizamos técnicas, mentalizações, fazemos simpatias, qualquer coisa que nos traga lições e ensinamentos de se obter e permanecermos felizes.

Será que estamos aqui para aprendermos a conviver com o que está errado, fora dos eixos, desequilibrado e tentar reverter situações para que elas possam nos proporcionar alívio, prazer, sensação de bem-estar? Cada um sabe a dor e a delícia de decifrar a sua felicidade e não julgar a do outro.

Felicidade é tipo: eu fiz e deu certo, eu me apaixonei e fui correspondido/a; eu tracei a meta e cheguei lá; desejei aquela viagem e fui; eu pedi a cura e recebi; eu desejei a paz em minha família e ela reina todo os dias; eu só mentalizo coisas boas e só de momentos bons eu vivo.

Há quem se iluda e entenda que a felicidade pode ser provocada por coisas e pessoas. Até que ponto precisamos destas coisas, tangíveis e palpáveis e de tais pessoas escolhidas a dedo para nos sentirmos bem? Onde a felicidade verdadeira se instala nestes casos? Não seria momentânea apenas?

É aí que está. Pode ser mesmo um momento, que aos poucos se prolongue no tempo e no espaço, que tome conta, que tome sorrisos e transforme o semblante. Mas que não dependa apenas do que está fora.

Felicidade completa pode ser um desejo egoísta. Pouca felicidade pode ser algo tão próximo do nada. Picos de felicidade podem preencher vazios e tirar o foco da dor e do desamor.

O que eu desejo agora para me sentir feliz pode ser totalmente diferente do que você almeja, mas uma coisa há de fazer sentido sobre este sentimento: ele foi de um certo modo compreendido quando em um vídeo o historiador e professor Leandro Karnal citou uma senhora que disse saber o que era felicidade: ao ser questionada a respeito deste entendimento ela resumiu: eu sei o que é felicidade porque já fui infeliz.

Isto talvez nos basta para entendermos um pouco de felicidade.

É experimentando a dor, o vazio, a perda, a ausência, o pouco, o medo e o outro lado de tudo isso que a gente ressignifica a vida e o conceito desta experiência deliciosa que é se sentir uma pessoa feliz.


Direitos autorais da imagem de capa: Mitch Walker on Unsplash




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